Uma Carta Para o Futuro
Querido Futuro, espero que estejas bem e preparado para mais 365 dias de renovada esperança, coragem e energia positiva. Embora no calendário tenha sido apenas uma simples transição de quarta para quinta-feira, existem momentos simbólicos que nos recordam da nossa capacidade coletiva de acreditar, recomeçar e imaginar caminhos melhores. É essa força invisível que nos inspira a desejar saúde, felicidade, a paz nas guerras da Europa, no Médio Oriente e nas Áfricas, sonhar com menos fome no mundo e, acima de tudo, confiar no crescimento do bom senso, da empatia e da cooperação entre os povos.
Querido Futuro, escolho acreditar que os investimentos anunciados de 5% em armamento serão direcionados para combater as alterações climáticas, protegendo o que realmente importa: a vida, o planeta e a dignidade humana. Que esses recursos ajudem a enfrentar a fome e a pobreza, fortaleçam a resiliência das sociedades e acelerem o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Que a inovação, a ciência e a diplomacia encontrem espaço, tornando a paz o maior e mais valioso investimento de todos.
Porque não acredito, Futuro, que queiras mais armas para matar em praias, escolas ou bairros periféricos, e muito menos por causa de minerais críticos entre o Ruanda e a República Democrática do Congo. Isso seria… permanecer preso ao passado. Não creio, Futuro, que o teu caminho esteja associado à violência, à perda de vidas inocentes ou à exploração desenfreada de riquezas. Prefiro imaginar um tempo em que os minerais críticos das Áfricas e de tantos outros lugares sejam fontes de desenvolvimento compartilhado, como discutido no Summit EU-AO, com justiça económica e prosperidade local, e não motivos de conflito.
Eu sei, querido Futuro, que as Áfricas não têm muito peso, pois aparecem sub-representadas neste novo jogo geoestratégico global e são apenas o cenário, nunca o argumento. Ainda assim, lá estará uma das maiores riquezas do planeta: uma juventude vibrante, criativa, resiliente, cheia de potencial e, sobretudo, futuros consumidores. Porque se não forem cidadãos, que sejam pelo menos mercados. É reconfortante saber que, mesmo esquecidos nas cimeiras, são importantes nas projeções de crescimento.
Quero acreditar, querido Futuro, que o teu olhar será positivamente impactante, inclusivo e humano, mas caso não… voltarei a escrever-te outra carta. Com esperança, sigo contigo.





