Economia

O Desafio da Primeira Venda: Como Concretizá

Os desafios da internacionalização são o tema desta entrevista com Pedro Nicolau, CEO da askblue.

A askblue foi fundada há 12 anos e seu crescimento tem sido impressionante, contribuindo para a transformação digital de seus clientes, especialmente no setor financeiro. Essa área é particularmente relevante para a empresa.

Desde sua fundação em 2013, nossa trajetória de crescimento pode ser descrita como sustentável. A expansão da empresa para o exterior reflete isso, resultado de uma estratégia clara e da contratação de talentos locais, permitindo-nos oferecer as melhores soluções.

Atualmente, nossos principais clientes provêm do setor bancário e de seguros, tanto em Portugal quanto no mercado internacional. Essas áreas requerem um alto nível de conhecimento das nossas equipes sobre tecnologia, regulamentação, concorrência e perfil dos usuários finais.

A askblue está em plena fase de internacionalização, atuando em diversos mercados, com presença física no Reino Unido e no Brasil. Quais são os principais mercados estratégicos?

O Brasil e o Reino Unido, com destaque para o Brasil, que está em uma fase mais avançada de desenvolvimento. Desde 2023, contamos com dois escritórios em Goiânia e São Paulo, e temos uma base de clientes ativa nos setores financeiro e industrial.

Quais exigências vocês encontraram nesses dois mercados desafiadores e amplos?

O setor financeiro brasileiro tem realizado investimentos significativos em inovação e eficiência, impulsionado pela grande dimensão do mercado e pela robustez financeira das instituições. A atuação de fintechs e bancos digitais, como Nubank, Inter e C6 Bank, tem sido essencial ao incentivar bancos tradicionais a acelerarem seus processos de digitalização.

Do ponto de vista dos usuários, há uma alta penetração de smartphones, resultando em uma utilização intensiva de aplicativos bancários, o que reforça a importância do investimento na transformação digital por parte das instituições. Além disso, o mercado brasileiro frequentemente segue de perto as tendências e melhores práticas dos Estados Unidos, contribuindo para a rápida evolução do ecossistema financeiro.

O Reino Unido, onde a askblue começou suas operações em 2024, é considerado um dos centros financeiros mais influentes e inovadores globalmente, apresentando um ecossistema bancário altamente digitalizado. O modelo de regulação aberta, baseado no Open Banking, junto a um ambiente competitivo, favoreceu o desenvolvimento de um ecossistema dinâmico de startups financeiras. A intensa concorrência exige que os bancos invistam continuamente, promovendo aumento de eficiência, inovação e maior segmentação de produtos.

Quais são as principais diferenças em relação ao mercado português?

No setor bancário em Portugal, há um perfil mais concentrado, regulado e conservador em relação à inovação. A digitalização avança principalmente com investimentos em aplicativos de mobile banking e serviços online, visando atender à crescente demanda por conveniência e autonomia digital. No entanto, a menor capacidade de investimento em comparação com o Brasil ou outros países da Europa limita a velocidade da transformação.

Quais desafios da internacionalização você destacaria?

Cada país possui suas particularidades, por isso é crucial compreender profundamente o contexto local. Isso inclui o entendimento da cultura de negócios, o nível de maturidade do setor e os desafios tecnológicos e comerciais de cada mercado. Essa compreensão ajuda a identificar oportunidades e a formular as melhores ofertas.

No caso do Brasil, garantir uma presença local, com escritórios e equipes de gestão no país, é fundamental. Uma abordagem generalista tende a dispersar recursos e comprometer resultados; portanto, é essencial definir prioridades e segmentos específicos de atuação.

Em quais outros países vocês têm desenvolvido projetos e como é a gestão sem presença local?

Já realizamos projetos em diversos lugares, desde a Europa até o Oriente Médio e países como os Estados Unidos. Uma vantagem que encontramos é o estabelecimento de parcerias locais, que são cruciais para o sucesso final.

Atualmente, estamos retornando a um mercado com grande potencial, que é Angola. Neste ano, a askblue iniciou novos projetos no país e notamos que a transformação digital está em fase inicial, mas se desenvolvendo rapidamente. O crescimento do mobile banking e das carteiras digitais tem sido essencial para compensar a baixa penetração bancária. Contudo, a infraestrutura tecnológica e de internet ainda é limitada em várias áreas. A literacia digital e financeira também dificulta a adoção de novos processos e tecnologias.

Quais benefícios a experiência internacional pode trazer para a atuação da askblue em Portugal?

A askblue opera em mercados que valorizam fortemente a inovação, o que nos proporciona contato com realidades bem desenvolvidas, permitindo que implementemos as melhores práticas no mercado nacional. Em resumo, a disseminação de conhecimento e experiências adquiridas em projetos internacionais pode gerar vantagens competitivas e acelerar a implementação de novas soluções em Portugal.

Qual é a porcentagem do volume de negócios gerado fora de Portugal?

A expansão global da empresa está intimamente ligada ao seu crescimento internacional. Atualmente, cerca de 15% do volume de negócios é gerado fora de Portugal, e nosso objetivo é acelerar significativamente o crescimento nesses mercados em comparação ao mercado nacional.

Como a askblue pretende acelerar o crescimento nesses mercados?

O negócio da askblue se baseia principalmente na confiança. À medida que nossas equipes entregam projetos de alta qualidade, cumprindo orçamentos e prazos, fortalecemos essa confiança e conquistamos projetos de maior porte.

Em geografias onde nossa marca ainda não é amplamente reconhecida, como Brasil e Reino Unido, complementamos nossas atividades com patrocínios, ações de marketing e campanhas digitais, sempre alinhando essas iniciativas aos resultados que alcançamos, garantindo uma abordagem sustentável e voltada ao retorno.

Para nossos clientes, que geralmente são grandes organizações, o maior desafio é frequentemente a concretização da primeira venda. Depois disso, nosso objetivo é expandir nosso portfólio de serviços, utilizando estratégias de upselling e cross-selling, solidificando a relação e criando valor contínuo.

Como você avalia 2025?

A askblue lançou novas ofertas nas áreas de “Data & Analytics” e “Quality & Testing”. Nesses campos, desenvolvemos novas competências e formulamos propostas diferenciadas, suportadas por tecnologias baseadas em Inteligência Artificial. Essa iniciativa nos permitiu conquistar novos negócios e reforçar a convicção de que continuaremos a crescer de forma sustentável. Também reforçamos nossa presença no setor da Administração Pública com uma equipe dedicada e com profundo conhecimento do setor, resultado em um posicionamento relevante em diversos organismos e um crescimento muito positivo.

Em termos de internacionalização, a expansão no Brasil provou ser uma decisão estratégica acertada, com crescimento expressivo ao longo do ano e a criação de um sólido pipeline de oportunidades, o que sustentará uma evolução significativa nesta região nos próximos anos.

Internamente, implementamos um novo modelo de carreiras e um processo atualizado de avaliação de desempenho, com o intuito de apoiar nossos colaboradores em seu desenvolvimento profissional e promover trajetórias de progressão mais claras e motivadoras.

Portanto, o balanço geral de 2025 é positivo: estamos mais robustos, com uma oferta mais abrangente e atuando em novos mercados.

Quais são as prioridades estratégicas para 2026?

Em 2026, manteremos o foco na especialização por setor de atividade, continuando a evoluir nossas ofertas e a fortalecer nosso posicionamento como parceiro de referência, diferenciado pela qualidade.

Este conteúdo foi produzido em parceria com a askblue.

Pat Pereira

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