Marcelo considera Seguro um Presidente de proximidade
“Acredito que todos os presidentes estiveram próximos dos cidadãos à sua maneira”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, ao ser questionado por jornalistas em Madrid sobre como os portugueses o lembrarão no futuro, após deixar a chefia do Estado em 09 de março, depois de dois mandatos e dez anos.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, comentou hoje que todos os presidentes eleitos em democracia foram “de proximidade à sua maneira”, e já começa a ver esse perfil em seu sucessor, António José Seguro.
“Acredito que todos os presidentes foram próximos dos cidadãos à sua maneira”, disse Marcelo Rebelo de Sousa, ao ser indagado por jornalistas em Madrid sobre como será lembrado pelos portugueses após deixar o cargo, em 09 de março, após dois mandatos e dez anos.
“Quando o Presidente Seguro esteve agora nas zonas afetadas pelo mau tempo, vi um exemplo de proximidade. No calor humano dos abraços e encontros que teve”, acrescentou, lembrando momentos em que, na sua opinião, Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva estiveram próximos do povo, especialmente em tempos de crise.
Marcelo Rebelo de Sousa enfatizou que os portugueses valorizam a “proximidade” e que “seria negativo que os presidentes não fossem assim”.
Sobre como será lembrado após deixar a presidência, considerou que “os portugueses decidirão”.
As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa aconteceram em Madrid, na embaixada de Portugal, ao fim de uma visita oficial à Espanha, que ele destacou ser a última desse tipo a um país estrangeiro enquanto chefe de Estado.
O Presidente comentou que as 170 viagens que realizou nos últimos dez anos deixaram marcas, “de uma maneira geral”.
“Sabem como sou. Tudo o que faço não é gratuito. Comprometo-me em tudo, e, por isso, naturalmente, isso me marca”, disse, reconhecendo que algumas viagens “tiveram mais efeitos” do que outras, e lembrando que o mundo mudou bastante neste período.
“Vivi pelo menos três mundos diferentes em dez anos”, disse, referindo-se à época antes da pandemia, o período pós-pandemia e a atualidade, marcada pela guerra na Ucrânia, que trouxe impactos na inflação, “a desregulação internacional”, o “não crescimento de países fundamentais” para a Europa e “novas dinâmicas na política internacional”.
Segundo o Presidente, tudo isso resultou, “do ponto de vista físico”, em quatro hérnias e uma cirurgia cardíaca, e intelectualmente, ajustou-se “a um mundo completamente diferente”.
No que diz respeito às suas deslocações e visitas, ressaltou que fez aquelas que “fazia sentido” no momento e, no caso da Espanha, reiterou a relação única e especial com o Rei Felipe VI e com o país vizinho, que espera que continue com António José Seguro.
“Um dos aspectos positivos do caso espanhol é que, apesar de ter visto dois governos diferentes nos últimos oito anos, o chefe de Estado sempre permaneceu o mesmo. Essa continuidade foi realmente muito importante para a estabilidade das relações”, afirmou.
Marcelo Rebelo de Sousa destacou que Felipe VI estará presente na tomada de posse de António José Seguro, em 09 de março, e que o próximo Presidente da República “sabe desde já que a Espanha é uma prioridade” na política externa portuguesa.
O Presidente expressou o desejo de que a primeira visita de Seguro como Presidente a um país estrangeiro seja à Espanha, “como aconteceu no passado”.
Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido hoje com honras militares pelos Reis de Espanha no Palácio Real de Madrid, onde os monarcas ofereceram um almoço em sua homenagem, com cerca de 100 convidados, incluindo o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.





