Economia

Saúde Privada Realiza 40% das Consultas em 2025

Saúde Privada Realiza 40% das Consultas em 2025

Em 2025, os hospitais privados em Portugal alcançaram um investimento histórico de 312 milhões de euros. Diariamente, esses hospitais realizaram 29 mil consultas, 4 mil atendimentos de urgência e 800 cirurgias.

Com aproximadamente 240 hospitais em funcionamento no país, 130 são de caráter privado. Neste ano, foi registrado um crescimento de cerca de 2% nas atividades, incluindo um aumento nas consultas, cirurgias e exames. “Os investimentos foram direcionados para a expansão das unidades, modernização tecnológica e aumento da capacidade instalada. Este é um valor inédito”, afirma Óscar Gaspar, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP).
Gaspar acrescenta que a participação dos hospitais privados no setor de saúde é em torno de um terço, sendo responsáveis por 20% das urgências e partos, 30% das cirurgias e 40% das consultas especializadas. No total, esses hospitais realizaram 10,8 milhões de consultas, contribuíram com quase 1,5 milhões de episódios de urgência e realizaram 284 mil cirurgias. Em média, isso equivale a 29 mil consultas, 4 mil atendimentos de urgência e 800 cirurgias por dia.
Em 2025, nasceram 87.732 bebês em Portugal, conforme dados do INE, dos quais 16.317 foram partos em maternidades privadas, representando quase 20% do total de nascimentos e um aumento de 8%. A capacidade instalada do setor é notável: 293 blocos operatórios, mais de 5 mil camas, milhares de consultórios e equipamentos médicos. Em termos tecnológicos, há 105 aparelhos de TAC, 111 de ressonância magnética, 500 ecógrafos e 170 máquinas de raio-X. Apesar desse reforço, Óscar Gaspar destaca a diminuição da colaboração com o SNS em exames como ecografias, TAC, endoscopias e colonoscopias, devido à falta de atualização dos valores do regime convencional (SNS e ADSE).
Apesar disso, a atividade de diagnóstico teve um aumento notável: 1,9 milhões de ecografias (+8%), 806 mil TAC (+3%) e 605 mil ressonâncias (+9%). No entanto, os exames de raio-X apresentaram uma leve queda, associada à redução das urgências, que caiu em 5,5%, totalizando aproximadamente 1,5 milhões de atendimentos. Esse fenômeno pode ser atribuído ao crescimento da telemedicina, consultas programadas e um inverno “mais ameno”, resultando em menos infecções respiratórias. José Roquette, presidente do Conselho Clínico da APHP, enfatiza o papel crescente da telemedicina, mencionando que cerca de 20% das consultas podem ser realizadas por este meio.
No âmbito do SIGIC (Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia), a utilização dos hospitais privados pelo SNS teve uma queda: em 2025, foram realizadas 15.355 cirurgias, o que representa uma diminuição de 2,3% em relação ao ano anterior, correspondendo a apenas 5,4% da atividade cirúrgica do setor. “É estranho que as listas de espera continuem e que haja uma menor procura pelos serviços privados”, observou Óscar Gaspar, ressaltando a capacidade existente para aumentar essa colaboração.
O setor enfrenta desafios estruturais, como a escassez de profissionais de saúde. “É um problema que afeta tanto a nível nacional quanto europeu”, alerta Óscar Gaspar, que defende a necessidade de investimento na formação e retenção de talentos. Embora o setor tenha superado a fase de crescimento acelerado, mantém a ambição de reforçar competências, investir em inovação e continuar complementando o SNS.
Quanto aos impactos da conjuntura externa, a principal preocupação reside no aumento dos custos. “Entre 2022 e 2025, os custos na prestação de cuidados de saúde subiram significativamente, impulsionados pelas remunerações dos profissionais de saúde e pela inflação geral, que abrange desde eletricidade e combustíveis até medicamentos e dispositivos médicos. Essa tendência de crescimento dos custos deve ter um novo impulso. Esta situação é particularmente grave no setor de saúde, seja devido ao elevado custo do sistema português (29% dos gastos são pagos diretamente pelos cidadãos) ou ao fato de que os preços regulados (SNS e ADSE) não possuem cláusulas de atualização”, conclui Óscar Gaspar.

Pat Pereira

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