Endesa informa que barragem de Girabolhos foi cancelada em 2016 pelo Governo
O CEO da Endesa, empresa energética espanhola, revelou que a companhia já havia investido cerca de 90 milhões de euros no projeto da barragem de Girabolhos antes de sua suspensão.
José Bogas, presidente executivo da Endesa, afirmou nesta terça-feira que um acordo foi firmado entre o Governo português e a empresa para suspender a barragem de Girabolhos em 2017, após o projeto ter sido retirado do Programa Nacional de Barragens.
“A barragem foi cancelada pelo Governo português no ano de 2016, durante uma revisão do Plano Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico”, explicou. “Após essa revisão, a Endesa e o Governo português chegaram a um entendimento e decidiram suspender, por mútuo acordo, o projeto da barragem de Girabolhos, na bacia do Mondego”, disse José Bogas em uma conferência de imprensa em Madrid, em resposta a uma pergunta da agência Lusa.
O CEO da empresa destacou que, embora a Endesa tivesse recuperado parte do investimento, não forneceu mais detalhes sobre o assunto.
José Bogas também não descartou a possibilidade de a Endesa se candidatar novamente à construção da barragem de Girabolhos, após uma análise das condições do concurso recentemente anunciado pelo Governo português.
O Governo encarregou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de lançar o concurso público para a construção e exploração da barragem até o final de março, conforme um comunicado divulgado em 10 de fevereiro.
Segundo o Governo, o Empreendimento de Fins Múltiplos de Girabolhos é “um projeto fundamental para a gestão integrada e sustentável dos recursos hídricos, visando o controle e mitigação de cheias, reforço do abastecimento público de água, produção de energia elétrica de fonte renovável, aumento da resiliência hídrica e valorização territorial do interior”.
“Esta decisão é especialmente relevante no atual contexto de cheias na bacia do Mondego, que evidenciaram a necessidade de reforçar a regulação dos caudais e a proteção de populações, atividades econômicas e infraestruturas”, enfatizou.
Citada no comunicado, a ministra do Ambiente e Energia afirmou que a barragem de Girabolhos tem como objetivo “reforçar a segurança hídrica do país, proteger as populações do vale do Mondego e aumentar a capacidade nacional de produção de energia renovável”.
A barragem de Girabolhos se estende por áreas dos municípios de Seia e Fornos de Algodres, no distrito da Guarda, e de Nelas e Mangualde, no distrito de Viseu.
Era um dos dez novos empreendimentos do Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial Hidroelétrico, iniciado pelo Governo de José Sócrates. No entanto, sua construção foi cancelada em abril de 2016, mesmo após já ter sido concedida à Endesa.
Devido às cheias recentes no Mondego, diversos partidos têm trocado acusações sobre a responsabilidade pelo cancelamento da barragem de Girabolhos em 2016, que agora é vista por muitos especialistas e dirigentes políticos como crucial para a gestão de caudais e prevenção de cheias na bacia hidrográfica do Mondego.
Alguns partidos responsabilizaram a Endesa pela decisão de não construir a barragem de Girabolhos.





