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A companhia aérea francesa Air France-KLM (AFKLM) confirmou sua participação na segunda fase de privatização da TAP, logo após o Governo português anunciar que essa fase começará em 2 de janeiro. A IAG também expressou interesse, buscando uma posição maioritária na companhia.

A AFKLM expressou sua “satisfação com o anúncio do Governo português” de sua qualificação para a próxima etapa do processo de privatização da TAP. “O Grupo reafirma seu forte interesse na TAP e aguarda os próximos passos, incluindo a entrega de uma proposta não vinculativa até o final do primeiro trimestre de 2026. As companhias aéreas do grupo operam em Portugal desde 1940 e têm mais de 600 voos semanais para cinco destinos no país”, de acordo com um comunicado divulgado hoje.

“Ao adquirir uma participação na TAP, o grupo Air France-KLM pretende aumentar sua contribuição para a economia portuguesa e agregar valor à TAP e ao país”, concluiu o comunicado.

Dona da British/Iberia busca controle da TAP

Por outro lado, a situação da IAG, proprietária da British Airways e Iberia, parece mais complicada. Quando a IAG manifestou interesse no dia 21 de novembro, destacou a necessidade de esclarecer alguns pontos antes de avançar com um investimento. Naquele momento, a companhia não fez mais comentários.

Hoje, a IAG revelou que prefere ter a maioria do capital da TAP para melhorar suas margens de lucro. Uma participação minoritária seria vista como um “problema”.

“Para isso, precisaríamos de um caminho muito claro para a propriedade da companhia, seja total ou maioritária, e neste momento isso não está em discussão”, afirmou Nicholas Cadbury, CFO da IAG, à “Bloomberg”.

A frontalidade da IAG em sua manifestação de interesse deixou muitas incertezas na aviação portuguesa, especialmente em uma fase tão inicial da privatização e de forma tão aberta.

O Governo pretende vender 49,9% da TAP, com 5% reservado para os trabalhadores.

Atualmente, a TAP opera com margens de 8%, enquanto a IAG visa margens de 12% a 15% para suas empresas. A IAG, liderada pelo espanhol Luis Gallegos, concorre à privatização da TAP junto com a Air France-KLM e a Lufthansa.

A IAG ressaltou a importância de colaborar com o Governo português para identificar maneiras de potencializar a TAP. “Se não conseguirmos isso, será muito difícil alcançar um acordo”, acrescentou.

Governo aguarda propostas não vinculativas até 2 de abril

As declarações da IAG coincidiram com o anúncio do Governo de que espera receber propostas não vinculativas para a TAP ainda no primeiro trimestre de 2026. O ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, afirmou em entrevista que as propostas não vinculativas devem ser entregues até o dia 2 de abril, após 90 dias do início da nova fase.

O ministro explicou que a fase começará em 2 de janeiro com o envio de convites aos três candidatos – Air France-KLM, Lufthansa e IAG. Nesta etapa, informações sobre a TAP serão disponibilizadas para a elaboração das propostas.

Na próxima fase, os candidatos devem apresentar um plano industrial, uma visão estratégica, um plano para rotas, considerações sobre ligações, riscos regulatórios, direitos e valorização dos funcionários, além de manter a marca e a sede em Portugal, sinergias e respeito pela legislação de concorrência.

Miguel Pinto Luz destacou que, embora o Governo tenha decidido vender uma participação minoritária (49,9%), a presença dos três principais grupos europeus demonstra a “saúde económico-financeira da companhia”.

Ele também esclareceu que as operações de handling e catering não fazem parte da privatização e serão vendidas separadamente, com as receitas revertendo para o Estado. A área da TAP no aeroporto Humberto Delgado também não será incluída no processo de privatização, com a análise desse tema na fase final.

Pat Pereira

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