Economia

AIMinho apresenta proposta de mil milhões para um PNUR em Inteligência Artificial

AIMinho apresenta proposta de mil milhões para um PNUR em Inteligência Artificial

O Programa Nacional de Upskilling e Reskiling para a Era da Inteligência Artificial (PNUR‑IA) foi submetido ao ministro da Economia, representando um investimento público próximo de 1000 milhões de euros em um período de três anos, “com um retorno econômico total estimado em mais de 3,78 mil milhões em impacto no PIB.

A Associação Industrial do Minho (AIMinho), considerando que “o rápido avanço das tecnologias de Inteligência Artificial (IA) traz uma transformação estrutural em todos os setores econômicos”, apresentou ao ministro da Economia e da Coesão Territorial uma proposta para a criação do Programa Nacional de Upskilling e Reskilling para a Era da Inteligência Artificial (PNUR‑IA). “A adoção dessas tecnologias pode aumentar significativamente a produtividade e competitividade das empresas, embora também demande novos requisitos de qualificação laboral”, afirma a associação. Seu presidente, Ramiro Brito, comentou ao JE que houve “a feliz coincidência de Castro Almeida ter solicitado ao IAPMEI que se debruçasse sobre a questão”, o que faz com que a contribuição da AIMinho ocorra “na hora certa”.

A AIMinho ressalta que, “para assegurar que essa transição tecnológica seja feita de forma inclusiva, sustentável e alinhada com os objetivos estratégicos nacionais, é necessário criar mecanismos que permitam às empresas investir continuamente no desenvolvimento das competências de seus trabalhadores”. Nesse contexto, a AIMinho sugere a criação do Programa Nacional de Upskilling e Reskilling para a Era da IA (PNUR‑IA), “baseado em um conjunto de incentivos fiscais e mecanismos de apoio destinados a promover a qualificação avançada, a requalificação profissional, e a integração responsável das tecnologias de IA nos processos produtivos”.

Os objetivos da proposta incluem reforçar a competitividade das empresas nacionais por meio da capacitação de trabalhadores em competências digitais e tecnológicas avançadas; garantir processos de transição tecnológica que preservem empregos e valorizem o capital humano; criar condições propícias para o investimento privado em formação e reconversão profissional; e fomentar a formação de um ecossistema nacional robusto de competências em IA, alinhado com as prioridades europeias.

No que diz respeito às propostas específicas, a AIMinho propõe a implementação de um pacote de medidas fiscais com o intuito de “reduzir os encargos vinculados à formação, minimizar o impacto financeiro da adoção de novas tecnologias e estimular a qualificação contínua da força de trabalho”.

Seis medidas foram apresentadas. A primeira é um crédito fiscal ‘Competências IA’, que permite a dedução de 150% dos custos elegíveis relacionados à formação especializada em IA, ciência de dados, automação, cibersegurança e tecnologias digitais. A segunda é a depreciação acelerada para investimentos em IA, com uma depreciação de até 200% para investimentos em software, equipamentos e plataformas de IA, condicionada à elaboração de um plano estruturado de formação interna. A terceira medida prevê a isenção parcial da Taxa Social Única (TSU) de até 50% durante 12 meses para trabalhadores envolvidos em processos de requalificação para funções digitais, garantindo a manutenção do vínculo laboral. Além disso, a AIMinho propõe a criação de apoios diretos que cubram até 80% dos custos de formação, com um limite anual de 10 mil euros por empresa, direcionados a micro, pequenas e médias empresas. As outras duas propostas são o incentivo à contratação de entidades formadoras certificadas e a criação de um Fundo Nacional de Requalificação em IA, voltado para o desenvolvimento de academias internas, programas de reconversão profissional, bootcamps e laboratórios de experimentação tecnológica.

“A implementação do PNUR‑IA permitirá ao país enfrentar de forma estratégica os desafios da transformação digital, alinhando crescimento econômico, inovação e coesão social. A articulação entre incentivos fiscais, investimento em capital humano e modernização tecnológica constitui um pilar essencial para garantir que Portugal se posicione na vanguarda europeia da transição digital voltada para as pessoas”.

Com uma perspectiva de três anos, a AIMinho prevê que o programa possibilitará a requalificação e capacitação de mais de 150 mil trabalhadores, com um aumento estimado de 20% na produtividade das empresas participantes, a redução de riscos de substituição tecnológica por meio da mobilidade interna e a consolidação de um polo nacional de formação avançada em IA.

A AIMinho fez as contas e considera que o impacto econômico global do programa representa um investimento público aproximado de 1000 milhões de euros em três anos, “com um retorno econômico total estimado superior a 3,78 mil milhões em impacto no PIB, apoiado por ganhos de produtividade e redução da obsolescência laboral”. Além disso, “o Estado deverá recuperar cerca de 516 milhões anuais em receitas fiscais adicionais, resultando em um ROI fiscal direto de aproximadamente 154%. A produtividade agregada deverá aumentar cerca de 900 milhões anuais após o período de implementação, posicionando Portugal como líder europeu na adoção responsável de IA. Para cada euro investido pelo Estado, as empresas deverão investir adicionalmente entre 1,8 e 2,4 euros, resultando em um efeito multiplicador nacional robusto.

Pat Pereira

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