Governos e Partidos do Príncipe Firmam Acordo com o Grupo HBD
O governo e os partidos da ilha do Príncipe firmaram um acordo para restabelecer a colaboração com o grupo HBD Príncipe, de propriedade do investidor sul-africano Mark Shuttleworth. Este anunciou o encerramento dos investimentos e a saída da ilha devido a alegações de ações neocolonialistas. “O governo regional e as forças políticas comprometem-se a fazer tudo para restabelecer a parceria com o grupo HBD, em um ambiente de equilíbrio, respeito mútuo e boa-fé”, consta no documento datado de quarta-feira, ao qual a Lusa teve acesso.
Os signatários afirmaram que, “após uma profunda reflexão”, decidiram que “os interesses do Príncipe estão acima dos interesses pessoais e político-partidários” e reconheceram “a importância do investidor Mark [Shuttleworth] para o desenvolvimento sustentável do Príncipe”.
Além disso, mencionaram a constituição de “uma plataforma alargada de entendimento entre o Governo Regional e as forças políticas, com o objetivo de promover um diálogo contínuo em busca de consenso sobre assuntos relevantes para a Região”.
“Mark é um investidor em quem todo o Príncipe confia e que já provou seu valor. Reunimo-nos aqui para transmitir essa mensagem ao investidor e, assim, convencê-lo a reverter a intenção [de abandonar a ilha]”, destacou Nestor Umbelina, líder do Movimento Verde para Desenvolvimento do Príncipe (MVDP), da oposição regional.
“Esse é o espírito necessário para demonstrarmos que os interesses da Região Autónoma do Príncipe estão acima de qualquer interesse político-partidário […] é um instrumento que contribuirá de forma significativa para enviar uma mensagem de confiança e mostrar aos investidores nossa vontade de continuar com seu projeto no Príncipe”, afirmou o presidente do Governo Regional do Príncipe, Filipe Nascimento.
Na quinta-feira, os funcionários da HBD realizaram uma marcha pacífica na cidade de Santo António, pedindo a continuidade da HBD na ilha. “Acreditamos que o projeto tem grande impacto, não apenas no Príncipe, mas também em São Tomé […] Queremos que o projeto continue pelo bem do Príncipe, pela sua sustentabilidade”, declarou uma das funcionárias durante a manifestação.
A empresa HBD Príncipe, vinculada ao sul-africano Mark Shuttleworth, que representa o maior investimento turístico na ilha, comunicou às autoridades regionais a decisão de interromper os investimentos e deixar a ilha devido a acusações de ações neocolonialistas. “Se existem facções de liderança que acreditam que nosso trabalho é de má-fé, com intenções neocoloniais, então seria melhor nos retirarmos, por respeito à autonomia do Príncipe. Minha equipe e eu sentimos que atualmente somos vistos como benfeitores e alvos, conforme a conveniência do momento”, disse Mark Shuttleworth em carta ao presidente do governo da Região Autónoma do Príncipe, Filipe Nascimento.
A HBD é a maior empresa da ilha do Príncipe, com diversos investimentos no setor turístico, garantindo emprego a centenas de pessoas e apoiando a construção e reabilitação de várias infraestruturas. O empresário afirmou que o objetivo de seu trabalho no Príncipe, que começou em 2010, “nunca foi comercial” e, por isso, não insistirá para manter os negócios na ilha.
“Por esse motivo, decidi solicitar à minha equipe que procure investidores alternativos que possam dar seguimento a esses negócios com melhor aceitação das lideranças do Príncipe e discutir o processo de encerramento dos investimentos em ecoturismo e agricultura da HBD na ilha. Pedi à minha equipe que trabalhe com seu governo para garantir que essa transição de volta ao Príncipe seja tranquila”, destacou.
Na terça-feira, o presidente do Governo Regional do Príncipe prometeu fazer o possível para convencer a HBD Príncipe a não encerrar suas operações e lamentou as “abordagens tristes e irresponsáveis” dos últimos tempos, que atribuiu a forças políticas, dirigentes e alguns veículos de comunicação do país, que tentam obter dividendos políticos à custa da empresa.





