Economia

UBS prevê mais de 4 trilhões de dólares em investimentos adicionais em IA até 2030

UBS prevê mais de 4 trilhões de dólares em investimentos adicionais em IA até 2030

O Chief Investment Officer – Global Family and Institutional Wealth antecipa que dois eventos serão benéficos em 2026: as eleições intercalares e a comemoração dos 250 anos dos Estados Unidos, que devem resultar em menor instabilidade política e econômica. “Poderá haver uma surpresa positiva vinda da geopolítica e da política no próximo ano”, afirma.

Maximilian Kunkel, Chief Investment Officer – Global Family and Institutional Wealth, participou de uma reunião com jornalistas na sede do UBS em Lisboa, ao lado de Carlos Santos Lima, UBS Country Head Portugal, discutindo a visão estratégica do banco suíço para o próximo ano.

Durante sua fala, Kunkel disse: “Primeiro de tudo, ao olhar para o próximo ano, eu diria que há três perguntas importantes. A primeira é: o investimento em IA continuará? A segunda: como os governos lidarão com o aumento da dívida? E a terceira: como a política e a geopolítica afetarão os mercados no próximo ano?”

“Atualmente, quando analisamos o mercado de ações global, a tecnologia da informação e os serviços de comunicação registram um aumento de 36%. Para entender a direção do mercado global, é crucial falarmos sobre tecnologia. Nos últimos dois anos, o que mais se destacou foi o investimento em IA. Os investimentos nesse setor superaram as expectativas em três vezes”, defende Kunkel, acrescentando “E a pergunta é: poderá o boom da infraestrutura da IA continuar? E acreditamos que sim.”

“Achamos que, cumulativamente, até 2030, haverá mais de 4 trilhões de dólares em investimentos adicionais em IA. Para o ano de 2030, estimamos investimentos de 1,3 trilhões na infraestrutura da IA”, acrescentou o CIO do Global Family and Institutional Wealth do UBS.

De onde vem esse crescimento? “Quanto à demanda por chatbots, acreditamos que os investimentos feitos até agora são mais do que suficientes para atender a essa demanda. No entanto, a próxima onda de procura virá principalmente da Agentic AI e da Physical AI, focando em áreas como robótica e veículos autônomos”, explicou Kunkel.

Ele destacou que “observando o desenvolvimento do mercado ao longo das últimas quatro semanas ou mais, notamos uma grande mudança no foco do mercado. A atenção mudou de Capex [despesa de investimento] para Fluxos de Caixa”. Isso indica que a ênfase não está mais apenas nos investimentos em infraestrutura.

“Lembrem-se de que os desenvolvimentos de alguns dos maiores hyperscalers, após anúncios de investimentos substanciais, nos levam a repensar nossa estratégia de investimento em IA, deixando de lado a concentração apenas em infraestrutura, semicondutores, cloud, etc.”, observou.

Kunkel também destacou que os centros de dados atualmente representam cerca de 4% da demanda de eletricidade nos Estados Unidos, podendo chegar a cerca de 9% em 2035. Isso indica que “outros setores, como commodities e empresas de serviços públicos, provavelmente se beneficiarão” devido a toda a cadeia de valor dos data centers.

O banco suíço identificou quatro áreas de retorno no investimento em inteligência artificial: pesquisa e desenvolvimento (I&D), publicidade, programação e serviço ao cliente.

Há uma bolha de IA? O UBS acredita que não.

Debates significativos surgem entre especialistas financeiros sobre se o atual crescimento do mercado de Inteligência Artificial (IA) representa uma bolha especulativa. Muitas empresas de IA apresentam avaliações consideradas excessivas, levantando preocupações sobre euforia no mercado.

<pSobre a possibilidade de uma bolha de IA no mercado, Kunkel se posiciona. “Atualmente, no índice S&P 500, estamos vendo 23 vezes o retorno. Se dividirmos o S&P 500 em duas partes, temos, de um lado, as sete grandes empresas de tecnologia, frequentemente chamadas de as sete magníficas, e do outro, 493 empresas menos impressionantes. As sete magníficas estão atualmente gerando 30 vezes o retorno em comparação com os últimos cinco anos. Em comparação com a bolha de 1999 e 2000, quando o Nasdaq gerava mais de 50 vezes, isso ainda é bastante baixo. As 493 empresas menos impressionantes estão gerando 20 vezes mais retorno aos acionistas”, disse, destacando que o S&P 500 não é o mesmo de há 40 anos.

“O S&P 500 evoluiu com o tempo, sua composição mudou substancialmente e agora inclui empresas com crescimento rápido e margens elevadas, resultando em valorizações mais altas. Como resultado, o índice total também pode ter valorizações maiores”, comentou.

Segundo o gestor, o importante é notar que as valorizações têm um poder limitado sobre os retornos em 12 meses.

“Outro ponto a considerar é que o sentimento no mercado está bastante pessimista neste momento”, destacou.

“A única coisa que faz as bolhas tornarem-se evidentes para todos e que leva ao seu colapso são aumentos significativos nas taxas de juros e não vemos isso acontecendo”, defendeu.

Taxas de juros e lucros das empresas são o que importa para os investidores.

Para os investidores, o que realmente importa são as taxas de juros e o crescimento dos lucros das empresas. “O resto é ruído”, afirmou Maximilian Kunkel.

<p“No que diz respeito às valorizações, ainda estamos no meio de um ciclo global de cortes nas taxas, que não víamos desde o colapso do Lehman Brothers. Acreditamos que os bancos centrais, fora dos EUA, continuarão a adotar uma postura mais branda, e que a Fed seguirá com seu ciclo de cortes. Acreditamos que a Fed reduzirá as taxas em 25 pontos base já em dezembro. Esperamos mais dois cortes de 25 pontos cada até o fim do primeiro trimestre do próximo ano”, sublinhou.

“Esperamos mais dois cortes de 25 pontos de base cada até o fim do primeiro trimestre do próximo ano”

Além disso, “observamos o crescimento dos lucros; por exemplo, na última quarta-feira nos EUA, foi revelado que seis dos 11 setores do S&P apresentaram crescimento de dois dígitos nos lucros do terceiro trimestre. Portanto, isso não é mais apenas uma questão de tecnologia, os lucros das empresas estão crescendo e se expandindo para mais setores”, disse.

<p“Acreditamos que, após três anos de estagnação, a Europa verá um crescimento dos lucros de 7% no próximo ano e um crescimento de 18% em 2027. Acreditamos também que a tecnologia chinesa verá um crescimento dos lucros de 37% no próximo ano, considerando avaliações adequadas”, defendeu.

Outro tema relevante é o endividamento; quando analisamos a dívida em percentual da capitalização do mercado, conforme a FINRA (Financial Industry Regulatory Authority), observamos que “atualmente está em 1,7%. O ponto mais baixo nos últimos 30 anos foi 1,5% e o ponto mais alto foi 2,6% em 2000. No entanto, não estamos vendo uma euforia em relação ao aumento do endividamento”, comentou.

Kunkel acredita que, na Europa, o Banco Central Europeu terá uma postura de espera em relação ao aumento das taxas de juro, não prevendo uma alta em 2026. “A inflação na Eurozona deverá cair para abaixo de 2%”, diz.

Para a Fed, antecipa uma queda nas taxas, pois, apesar das tarifas, a inflação está diminuindo de acordo com a maioria dos dados norte-americanos. “Os salários estão subindo e há indicações claras de que o mercado de trabalho nos EUA está enfraquecendo, o que é um bom sinal para uma redução nas taxas. Por outro lado, a política monetária nos EUA pode estar menos restritiva, mas ainda assim é restritiva”, afirmou o especialista.

“Discutindo outras áreas que se beneficiariam com os avanços da IA, mencionei a eletrificação, mas também estamos muito otimistas em relação ao setor da saúde, que pode ser considerado sob a ótica da longevidade. Muitos investidores com uma visão de longo prazo concentram-se em tecnologia e saúde, pois são ambos setores de crescimento estrutural”, declarou Kunkel.

“Nos últimos 6 a 12 meses, notamos um foco massivo em tecnologia, mas relativamente pouca atividade em saúde, e isso se deve, em parte, à incerteza em relação aos preços nos EUA”, concluiu.

O Chief Investment Officer – Global Family and Institutional Wealth antecipa dois eventos que trarão benefícios em 2026, as eleições intercalares e os 250 anos dos Estados Unidos, resultando em uma menor instabilidade política e econômica.

O gestor do UBS acredita que a administração norte-americana fará o possível para evitar instabilidade econômica no próximo ano. “Poderá haver uma surpresa positiva vinda da geopolítica e da política no próximo ano”, diz Max Kunkel.

“Considerando as dificuldades econômicas, que surgem das incertezas geopolíticas, se houver um risco de agravamento, os bancos centrais poderão reduzir as taxas de juros mais rapidamente do que o esperado, o que não está sendo considerado atualmente”, observou.

O segundo fator é o ouro, que continua a ser um excelente ativo de refúgio contra incertezas geopolíticas e fiscais. “Os bancos centrais ainda estão diversificando suas reservas, saindo de títulos do tesouro e migrando para o ouro”, ressalta. Já o dólar “ainda se encontra em um caminho de enfraquecimento em relação ao euro, e isso continuará. Nossa estimativa é que o câmbio euro/dólar atinja 1,20 dólares.”

Como os governos lidam com os níveis de dívida cada vez maiores?

A segunda pergunta é, como os governos lidam com os níveis de dívida cada vez maiores? “Projeções do Fundo Monetário Internacional, apontam para que em 2030, os níveis de dívida sobre o PIB do G7 serão 137%. E a pergunta é sempre, como eles vão pagar essa dívida? A resposta curta é, é claro, que eles não vão pagar. A pergunta mais importante é, realmente, saber se ainda conseguem pagar toda essa dívida e isso é sobre o serviço da dívida. À primeira vista poderia ser através do aumento dos impostos e corte na despesa pública. Mas politicamente isso é bem difícil de implementar”, disse lembrando que um default é altamente impossívelquando se trata das grandes economias”.

“O nosso cenário base é que acabaremos com uma solução mistade grande repressão financeira e taxas de juro muito baixas, perto de negativas, acompanhadas de inflação. O que significa repressão financeira, neste caso? Há, na verdade, duas maneiras de pensar sobre isso. A primeira é que os reguladores incentivem os bancos, empresas de seguros e fundos de pensão a comprar mais dívida soberana; e a segunda é tentar conter a riqueza privada, pois quando a dívida do governo atinge níveis muito elevados, a riqueza privada tende a estar ainda mais alta. Portanto, os governos buscarão acesso a esses recursos, incentivando investidores privados a adquirirem dívida pública local”, explicou Max Kunkel.

Sobre a situação econômica da França e a redução do rating do Estado, o gestor do UBS disse que “acreditamos que a França está fadada a estagnar. Acreditamos que a situação econômica é problemática e estrutural, no que se refere às finanças governamentais. Como resultado, devemos observar, nos próximos anos, a continuidade da dinâmica política que já vimos, com degradações de rating, mas não de forma agressiva. A redução do rating da França é um processo lento, na nossa visão, sem a intervenção do BCE.”

O gestor do UBS afirma que o mercado de renda fixa ainda será promissor em 2026.

Pat Pereira

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