Todo Mundo Conhece As Manas da Buraca e Adora os Petiscos da ‘Preta’
Vale a pena visitar As Manas, um restaurante que oferece uma variedade de pratos de inspiração portuguesa na Buraca. Mas não é necessário correr para marcar mesa. Às vezes, o que é verdadeiramente bom merece uma espera – aguça o apetite, aumenta a expectativa e realça o desejo. As Manas estão de férias e só voltam no dia 9 de setembro. Já esperámos mais por coisas piores.
“Não venha antes das 16 horas”, avisa Fátima Silva, 33 anos, uma das cinco irmãs do restaurante. Há uma sexta irmã, considerada “adorável”, mas que é “apenas” investidora e não participa ativamente no dia a dia do restaurante, limitando-se a dar alcunhas às irmãs. Mas isso é uma história para depois.
O relógio marca 16h10 e já se sente o cheiro de limpeza no restaurante. Uma funcionária passa a esfregona nas duas grandes salas, que estão abertas há dez anos e têm capacidade para 100 pessoas. A cozinha também está a brilhar, com as mesas dispostas de forma estratégica e a mise-en-place já pronta para o dia seguinte.
Fátima, com um brilho no olhar, realmente gosta do que faz e, mais importante, está orgulhosa da herança que recebeu dos pais. “O nosso pai, que já faleceu, deixou-nos um legado importante: devemos ser humildes e trabalhar sempre com qualidade. Não devemos querer ganhar dinheiro a qualquer custo. E se dermos sempre o melhor ao público, as pessoas voltarão. E isso tem acontecido”, conta à New in Amadora.
130 almoços por dia
As Manas só fecham aos domingos e, de resto, estão sempre abertas. Não servem jantares, mas a “Preta” está sempre a trabalhar: “Servimos entre 125 a 130 almoços por dia”. “Toda a gente nos conhece aqui, porque os nossos pais tinham uma banca de peixe no mercado e os clientes viram-nos crescer, agarrar os nossos sonhos e acreditar neles”, diz Fátima, também conhecida como “A Popota”. Mas de onde vêm esses “nomes”?
“A Preta”, a “Popota”, a “Gorda”, a “Mocotó”, “A Mais Feia” e “O Preto Feio (ou “Chato”) são alcunhas que nosso irmão criou, sendo o único que não trabalha no restaurante, mas ainda faz parte do projeto. “Apesar das alcunhas, adoramo-nos. É tudo uma brincadeira, tudo lindo. Nós nos amamos muito”, é rápida em aclarar Fátima.
O restaurante começou há dez anos, mas o espírito empreendedor dos irmãos se manifestou muito antes, em A-da-Beja, uma região da Amadora. “Era perto da antiga casa do Paulo Battista, o costureiro dos famosos que vocês entrevistaram recentemente. Ele e sua família eram nossos clientes”, conta Fátima à NiA.
A Buraca é a terra
O restaurante era pequeno, e quando surgiu a oportunidade de voltar à Buraca, onde cresceram, não hesitaram. “E por que não?”, perguntaram entre si. “É para avançar, é para avançar”.
“A Buraca é muito familiar para nós, pois nossos pais tinham uma banca de peixe aqui no mercado. Eu comecei a ajudar com sete anos e a Isabel com oito. Sempre nos ensinaram que a vida não é fácil e precisamos lutar para conseguir o que queremos”, recorda.
Aos fins de semana, iam lá ajudar e sempre recebiam uma recompensa, aprendendo a valorizar o trabalho e as conquistas. “Portanto, este ambiente é muito familiar, porque todos conhecem as irmãs da banca de peixe dos meus pais. As pessoas que nos conhecem desde pequenas ficam felizes por nos ver crescer e triunfar na vida, e com o amor que temos pela nossa comida.”
Inicialmente, As Manas era um restaurante menor, localizado ao lado de uma lavandaria. “Tínhamos menor capacidade e várias vezes nos sentíamos tristes ao ter que recusar clientes por falta de espaço. Um dia, a loja ao lado, que era uma lavandaria, fechou e conseguimos expandir, dobrando a área do restaurante e aumentando a nossa capacidade para muitos mais clientes.”
Foi mais uma aventura, e agora temos espaço para 100 pessoas, a maioria delas clientes habituais. “A ‘Preta’ cozinha extremamente bem. Ela faz tudo, desde a feijoada à transmontana às segundas, até a açorda de gambas e arroz de cabidela às terças, e assim por diante, terminando a semana com o cozido à portuguesa aos sábados.
“Deus no comando”
“Está a correr muito bem. Temos muita fé e sempre colocamos Deus à frente de tudo. Quando temos um objetivo, vamos com tudo, nunca pensamos em falhar”, afirma a “Popota”, que complementa que quatro mulheres trabalhando juntas “não traz complicações”.
“Cada uma tem a sua função, não nos atropelamos. Ninguém se intromete no trabalho do outro”, elogia os clientes frequentes. “Alguns já chamamos de ‘avós’ ou ‘primos’, aqui é tudo muito familiar. Na Buraca, todo mundo conhece as Manas.”
Mas há um segredo que é hora de revelar. “A Preta não consegue trabalhar na cozinha com mais ninguém. Não sei como ela dá conta de tudo”, diz, rindo.
Ela se vira para a cozinha e chama a irmã: “Preta, venha aqui, que o senhor quer falar contigo”. Tira o avental e junta-se à mesa. “É verdade, a cozinha é o meu espaço sagrado, não quero ninguém lá. Eu sou um pouco espaçosa. Isso me incomoda. Gosto de sentir que tudo está sob meu controle”, confirma. Que assim seja.
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