Sicasal: Falência por Dívidas e Prejuízos Acumulados
A Sicasal, uma indústria de carnes situada em Mafra, tem enfrentado dificuldades financeiras, acumulando dívidas e prejuízos, o que levou à solicitação de sua insolvência após a rejeição do Plano Especial de Revitalização (PER). A informação foi divulgada pela “Agência Lusa” na última sexta-feira.
Em uma ata de reunião do conselho de administração realizada em outubro de 2025, a empresa afirmou estar “em situação económica difícil, mas não em estado de insolvência inicial”, decidindo, na ocasião, avançar com um Plano Especial de Revitalização.
Na petição do PER, a Sicasal justificou que se vê diante de um elevado passivo bancário e encargos financeiros significativos provenientes de financiamentos, além de um passivo considerável com seus fornecedores, em meio a uma acentuada redução da atividade e do volume de negócios.
Em junho de 2025, as obrigações da empresa totalizavam 39,3 milhões de euros, enquanto o seu patrimônio foi avaliado em 38,25 milhões de euros, acrescido de 4,6 milhões de euros em ativos correntes.
A dívida acumulada com 250 credores alcançava 37 milhões de euros, sendo que 22,4 milhões eram devidos a instituições bancárias, incluindo o Banco Comercial Português (11,6 milhões de euros), que solicitou esta semana a insolvência da empresa, Caixa Geral de Depósitos (4 milhões de euros), Novo Banco (3,6 milhões de euros) e Abanca (2,5 milhões de euros). A empresa também deve 9,4 milhões de euros a fornecedores.
O passivo financeiro é resultado de “dívidas e responsabilidades a diversos bancos, tais como contratos de empréstimo, ‘factoring’, ‘confirming’ e operações de locação financeira”, explicou a Sicasal.
A companhia mantém um contrato de ‘factoring comercial’ com o Banco Comercial Português, no qual cede créditos de clientes relacionados à sua atividade, o que é essencial para sua liquidez atual e continuidade da operação.
Com aproximadamente 290 funcionários, a maioria com uma média de 50 anos de idade e 19 anos de serviço na empresa, as despesas com pessoal totalizaram quase 7,2 milhões de euros em 2024.
A situação da Sicasal também se deve à perda de participação de mercado, marcada por uma significativa queda no volume de negócios. Este volume, que foi de 73,3 milhões de euros em 2022, diminuiu para 69,7 milhões de euros em 2023 e estimava-se em 42,3 milhões de euros para 2024.
A deterioração financeira resultou em prejuízos acumulados, registrando um resultado líquido negativo de 3 milhões de euros em 2022, 8,8 milhões de euros em 2023 e 11 milhões de euros em 2024.
Em outubro, a Sicasal protocolou o pedido de PER com o objetivo de se reestruturar, criando um plano de recuperação que lhe permitisse renegociar suas dívidas, preservando a viabilidade econômica e a liquidez necessárias para manter suas operações e empregos.
Nessa oportunidade, um revisor oficial de contas afirmou que a Sicasal não estava em “situação de insolvência e tinha potencial para recuperação económica e financeira”.
Entretanto, em dezembro, o pedido de PER foi negado pelo Tribunal da Comarca Lisboa Oeste, localizado em Sintra, devido à falta de documentação necessária por parte da empresa.
Recentemente, o BCP, seu maior credor, requereu a insolvência da Sicasal, resultando na nomeação de Jorge Calvete como administrador de insolvência, com a assembleia de credores marcada para 4 de março.
O administrador de insolvência declarou à “Agência Lusa” que a produção da Sicasal está atualmente parada, mas há intenção de apresentar um plano de recuperação para reativar as atividades e confirmar o interesse em não encerrar a unidade. Ele também mencionou que existem “vários investidores interessados” na empresa.
Conforme reportado pela “Agência Lusa”, Álvaro Santos Silva, administrador da Sicasal, tem se recusado a fornecer esclarecimentos sobre a situação. A empresa foi fundada em 1968 por seu atual administrador, Álvaro Santos Silva.





