Projeto de 14,6 milhões: 24 mil empregos e 150 infraestruturas renovadas em Moçambique
O projeto, denominado Investimento Resiliente para o Empoderamento Socioeconómico, Paz e Segurança (RISE-PS), foi lançado hoje em Maputo pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) e tem como objetivo beneficiar mais de 100 mil pessoas. A iniciativa visa promover a recuperação económica e fortalecer a estabilidade social na província de Cabo Delgado, que tem sido alvo de ataques armados desde 2017.
Com um investimento de 17 milhões de dólares (14,6 milhões de euros), o projeto irá criar 24 mil empregos e reconstruir 150 infraestruturas que foram destruídas pelo terrorismo em Cabo Delgado, com financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD).
“Hoje sentimos que valeu a pena o esforço de transformar uma visão do Governo e dos parceiros em ações concretas que vão contribuir para responder às grandes pressões que a população, em particular a juventude de Cabo Delgado, enfrenta”, afirmou o ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, durante a cerimônia de lançamento.
Aprovíncia de Cabo Delgado, rica em gás, tem sido alvo de ataques extremistas nos últimos oito anos, com o primeiro registrado em 5 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A iniciativa lançada hoje é o resultado de cerca de dois anos de trabalho técnico entre o governo moçambicano e parceiros internacionais, visando apoiar a reconstrução económica, promover oportunidades de emprego e fortalecer os meios de subsistência das comunidades locais.
Com uma duração de quatro anos, o RISE-PS prevê a criação de aproximadamente 24.000 oportunidades de emprego, priorizando jovens e mulheres, além de oferecer apoio direto a mais de 2.000 micro e pequenas empresas e capacitar 10.000 pessoas em habilidades técnicas e empresariais.
Segundo o ministro, o programa faz parte de uma estratégia mais abrangente de recuperação económica para o norte de Moçambique, alinhando-se com iniciativas governamentais como o Programa de Resiliência e Desenvolvimento Integrado do Norte de Moçambique (PREDIN) e o Programa de Estabilização de Cabo Delgado.
O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, declarou que a iniciativa representa um passo significativo na recuperação económica da região e na criação de novas oportunidades para as comunidades afetadas pela violência. “A nossa expetativa, com o lançamento deste projeto, é vermos reabilitadas cerca de 150 infraestruturas públicas destruídas pela ação terrorista”, afirmou, acrescentando que o programa também prevê apoio a mais de 2.000 microempresas lideradas por jovens e a legalização de 500 novas empresas.
O projeto será inicialmente desenvolvido nos distritos de Palma e Ancuabe, com possibilidade de expansão para outras áreas da província à medida que a estabilidade e as condições de segurança forem reforçadas.
O vice-presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Honório Manuel, mencionou que o setor privado vê o projeto como uma oportunidade para consolidar a paz por meio do desenvolvimento económico e do fortalecimento da atividade empresarial local. “Não estamos apenas a ativar um programa de recuperação económica, estamos também a investir na própria substância da paz e na dignidade das comunidades que durante demasiado tempo foram marcadas pela violência”, declarou.
Por sua vez, o representante residente do Banco Africano de Desenvolvimento em Moçambique, Rómulo Cunha Correia, destacou o potencial econômico de Cabo Delgado e ressaltou que o desenvolvimento de grandes projetos energéticos, incluindo o gás natural, poderá gerar novas oportunidades para empresas locais, jovens e mulheres.
A iniciativa também contempla a distribuição de 2.261 ‘kits’ de negócios para apoiar novos empreendedores, a legalização de cerca de 500 empresas e a construção de uma vila de pequenas e médias empresas no distrito de Palma, associada a um parque industrial.




