Paulo Campos é o vencedor do 7.º Prémio Literário dstangola/Camões
O Prémio, promovido pelo dstgroup em parceria com o Instituto Camões, nesta edição foi dedicado a obras de poesia de autores angolanos publicadas entre 2023 e 2024.
O escritor angolano Paulo Campos foi o vencedor da 7.ª edição do Prémio Literário dstangola/Camões com a obra “111 Sonetos Novembrinos”, escolhida por unanimidade, conforme anunciado pelo grupo empresarial português em comunicado enviado à Lusa nesta segunda-feira.
A obra “111 Sonetos Novembrinos” impressionou o júri pela sua mensagem, que representa uma homenagem à data da Independência de Angola, 11 de novembro de 1975, “unindo o rigor formal do soneto clássico com a memória histórica, a identidade cultural e a vivência contemporânea do país”, segundo o comunicado.
O escritor expressou sua satisfação pela valorização que o prémio confere à cultura literária angolana. “A existência de prémios como este, que promovem a cultura literária angolana, é uma das iniciativas mais oportunas para o desenvolvimento da escrita como uma arte necessária. Acredito que este prémio representa, acima de tudo, um reconhecimento à persistência do ato poético”, afirmou.
Paulo Campos ressaltou que a decisão do júri atribui à poesia um espaço de destaque “onde a alma se revela sem máscaras”. “Ganhar este concurso significa, portanto, que as vozes e os silêncios que depositei em cada verso ressoaram além do papel. Para mim, esta distinção valida a busca pela essência da nossa identidade cultural, provando que a poesia ainda é um porto seguro, onde a alma se manifesta sem disfarces”, declarou.
O júri, presidido por José Mena Abrantes e composto por David Capelenguela e Amélia Dalomba, destacou “a habilidade de Paulo Campos em dominar as regras clássicas do soneto, utilizando uma linguagem simples, fluida e acessível”. Também salientaram a capacidade do autor de abordar “com beleza e rigor, histórias antigas, lendas e parábolas africanas, cenas do quotidiano rural e urbano, além de temas existenciais, amorosos e patrióticos, defendendo os valores universais da Humanidade”.
José Teixeira, presidente do dstgroup e promotor da iniciativa, enfatizou o papel da literatura “como instrumento de subversão e ressonância das vozes sufocadas”, ressaltando a importância dos poetas na construção da liberdade. “Em Angola, a literatura e a poesia sempre tiveram grande relevância. Hoje, Angola é livre e reconhece que não pode abrir mão da voz crítica dos poetas e escritores. A liberdade é um processo. Como pequeno operador em Angola, incentivamos e apoiamos os poetas e escritores em seu trabalho social”, concluiu, conforme o comunicado.
Paulo Campos é médico, acadêmico e escritor angolano, membro da União dos Escritores Angolanos (UEA). Iniciou sua trajetória editorial com a publicação de contos, mas foi no retorno à poesia, em 2024, que alcançou um dos momentos mais altos de sua carreira literária com “111 Sonetos Novembrinos”, editada sob a chancela da UEA.
O prémio, no valor de 15 mil euros (cerca de 16 milhões de kwanzas), será entregue ao vencedor em maio deste ano, em local a ser anunciado.
Ao longo das sete edições, o Prémio de Literatura dstangola/Camões já homenageou Zetho Cunha Gonçalves (2019), Pepetela (2020), Benjamim M’Bakassy (2021), Boaventura Cardoso (2022), João Melo (2023), Jorge Arrimar (2024) e Paulo Campos (2025).
Instituído em 2019, o Prémio de Literatura dstangola/Camões faz parte de um projeto cultural estruturado desenvolvido pelo dstgroup em parceria com o Instituto Camões, que vai além da mera atribuição anual do galardão.
No escopo desse compromisso, foi criada a Sala de Leitura dstangola no Centro Cultural Português em Luanda, que já recebeu milhares de livros oferecidos pelo grupo. O acervo inclui obras de autores angolanos, portugueses e de língua portuguesa, além de literatura técnica e científica, promovendo o acesso à leitura, ao conhecimento e à diversidade cultural.




