Nada está suficientemente longe de nós, nada é absolutamente remoto
O Chairman do Abanca considera que a Inteligência Artificial (IA) é fundamental para o incremento da produtividade. Essa ideia foi reforçada por Paulo Portas no painel subsequente, intitulado “A sustentabilidade na nova era geopolítica”, que contou com a participação de Judith Arnal, do Real Instituto Elcano, e Paulo Portas, CEO da Vinciamo Consulting, sob a moderação de Vítor Bento, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos.
Juan Carlos Escotet, Chairman do Abanca, está em Lisboa para o V Encontro de Finanças Sustentáveis do Abanca. Iniciou sua fala destacando que “ainda não completámos o primeiro trimestre de 2026 e já podemos afirmar que, em poucas semanas, estamos num mundo diferente daquele que predominava no final de 2025. Contudo, apesar da acelerar extrema e da incerteza, o impacto sobre nós é, talvez, menos grave do que seria antes de 2020”.
“Se analisarmos com atenção, perceberemos que, desde a erupção do Covid-19, entramos numa sequência contínua de crises. A pandemia foi seguida, em fevereiro de 2022, pela invasão da Ucrânia pela Rússia. Oito meses depois, ocorreu o lançamento público do Chat-GPT e, a partir de 2023, o mundo duplicou o número de eventos climáticos cujas sequências resultaram, apenas em vidas perdidas, em mais de 200 mil pessoas em três anos”.
“Além disso, novos conflitos armados surgiram, temos o pico da polarização política com suas repercussões econômicas, a multiplicação de fraudes e notícias falsas, além de um ambiente empresarial afetado por conflitos socioeconômicos em que as tarifas são usadas como ferramentas quase belicistas, prejudicando o desenvolvimento da produção nacional. É tempo de agir”, afirmou o banqueiro.
Sobre a sustentabilidade, Juan Carlos Escotet lembrou que há pouco mais de 50 anos, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano marcou a entrada das questões ambientais na agenda política de dois países. “Desde então, o conceito de sustentabilidade ganhou profundidade e agora é definido pela interação equilibrada de objetivos ambientais, sociais e econômicos”, disse.
“Sustentabilidade é, no melhor sentido da palavra, profundidade em todos os aspectos, que dá solidez ao nosso desempenho imediato e à geração de benefícios das organizações para a sociedade. A sustentabilidade vai além de simplesmente conformar-se com o ambiente; trata-se de implementar políticas responsáveis socialmente. Portanto, é nossa responsabilidade cultivar e desenvolver os melhores talentos em nossas empresas e instituições”, defendeu.
“A sustentabilidade exige que não percamos de vista nem por um momento o que nos rodeia, pois nada está realmente distante de nós, nada é absolutamente remoto”, sublinhou Juan Carlos Escotet.
O maior acionista e presidente não executivo do Abanca destacou que “cabe a nós estudar, diagnosticar e ajustar nossas práticas para sermos mais competitivos, mesmo quando os ambientes regulatórios não favorecem o crescimento produtivo e a gestão do emprego. Devemos permanecer em estado de vigilância ativa para compreender o potencial da Inteligência Artificial e incorporá-la como um elemento central das nossas estratégias nos próximos anos”.
Assim, o Chairman do Abanca vê a IA como crucial para o aumento da produtividade. Essa ideia foi posteriormente reiteração por Paulo Portas no painel que se seguiu, focado na “sustentabilidade na nova era geopolítica”, juntando Judith Arnal e Paulo Portas, com a moderação de Vítor Bento, Presidente da Associação Portuguesa de Bancos.
“A contribuição das organizações para a sociedade é cada vez mais relevante, necessária, estratégica e de maior projeção temporal. As nossas obrigações e responsabilidades para com o mundo, do qual somos uma parte essencial, não diminuirão, mas tendem a crescer nos próximos anos. Encaremos este desafio com determinação”, concluiu Juan Carlos Escotet.
No painel seguinte, Vítor Bento enfatizou que “a coisa mais importante que temos a oferecer ao mundo neste momento é a incerteza; a segunda, no que diz respeito ao campo da ação, é que, como disse Paulo Teixeira Pinto, se formos decididos em enfrentar o impossível, ele irá recuar”.




