Economia

Imported Article – 2026-02-17 17:45:14

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que Moçambique “enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis”, levando a cortes na aquisição de bens e serviços em 2025, ano em que se estima um crescimento económico de apenas 0,5%.

Nas conclusões da consulta, ao abrigo do artigo IV, com Moçambique, aprovadas pelo conselho executivo e divulgadas pela instituição, o FMI menciona que o “Governo enfrenta condições de financiamento cada vez mais difíceis”, destacando os “atrasos no serviço da dívida”.

O FMI observa que “a detenção de títulos públicos pelos bancos nacionais — a principal fonte de financiamento dos grandes e persistentes déficits orçamentais — estagnou. O financiamento externo líquido tem sido negativo. Em decorrência dessas condições restritivas de financiamento, estima-se que o déficit orçamental tenha diminuído significativamente em 2025, caindo para 4,5% do PIB, em comparação com 6,2% em 2024, principalmente devido à redução das despesas com bens, serviços e projetos de capital”.

O relatório ainda ressalta que Moçambique “continua a enfrentar um ambiente macroeconómico complexo, marcado por um crescimento moderado, vulnerabilidades orçamentais e da dívida, além de uma diminuição na ajuda externa”.

Adicionalmente, “o país enfrenta necessidades urgentes de desenvolvimento, limitações de capacidade e frequentes desastres naturais”, conforme mencionado no relatório.

Após um crescimento económico de 2,1% em 2024 e de 5,4% em 2023, o FMI projeta que o Produto Interno Bruto [PIB] de Moçambique tenha crescido apenas 0,5% em 2025.

O FMI nota que “a atividade económica tem vindo a recuperar gradualmente após a forte contração no final de 2024, posterior às eleições de outubro desse ano”, em referência aos quatro trimestres consecutivos de retração económica gerados pela agitação pós-eleitoral.

Embora reconheça “alguns desenvolvimentos positivos”, como a “baixa inflação”, as reservas cambiais “adequadas”, a retomada do megaprojeto de gás natural da TotalEnergies e a remoção da lista cinzenta do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI), o FMI alerta que “os desafios continuam a ser significativos”.

O relatório menciona que “as atuais políticas macroeconómicas”, incluindo “os grandes déficits orçamentais e a necessidade de maior flexibilidade cambial”, poderão “provavelmente exacerbá-las as vulnerabilidades macroeconómicas e da dívida”.

“Os déficits orçamentais primários deverão ficar em torno de 2% do PIB até 2029, mas os déficits totais tendem a aumentar devido ao incremento nos pagamentos de juros. O crescimento económico fora do setor mineiro deverá se manter modesto, cerca de 2%, refletindo o fraco crescimento do crédito”, acrescenta o FMI.

Nas conclusões aprovadas pelo conselho executivo, os diretores do FMI destacam “os riscos e vulnerabilidades significativas decorrentes dos grandes desequilíbrios internos e externos, do fraco crescimento, da elevada dívida pública, dos desafios de segurança, das fragilidades institucionais e dos choques climáticos” enfrentados por Moçambique.

Salientam também “a urgência de um pacote abrangente de reformas políticas para consolidar a estabilidade macroeconómica e estabelecer as bases para um crescimento mais forte e duradouro”, além da “necessidade crítica de uma consolidação fiscal ambiciosa e credível para reduzir as necessidades de financiamento e restaurar a sustentabilidade da dívida, assim como para criar espaço fiscal a fim de financiar necessidades sociais e de desenvolvimento essenciais”.

Além disso, o relatório destaca “a importância de conter a folha salarial, ampliar a base tributária, aprimorar a gestão das finanças públicas, abordar os riscos fiscais das empresas estatais e do sistema de segurança social, e fortalecer a gestão da dívida e a transparência, enquanto se protege os grupos vulneráveis”.

Pat Pereira

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