Economia

Governo obtém aprovação de Bruxelas para flexibilidade orçamental da UE nos apoios

Governo obtém aprovação de Bruxelas para flexibilidade orçamental da UE nos apoios

“O governo manifestou uma preocupação geral em relação ao que ocorreu em Portugal. A Comissão Europeia demonstrou disposição para utilizar os instrumentos existentes e considerar as despesas que o Estado incorrer com as tempestades e inundações como despesas ‘one-off’, ou seja, que não serão contabilizadas para a despesa líquida primária, visto serem pontuais”, afirmou o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.

Hoje, o governo anunciou que obteve aprovação da Comissão Europeia para maior flexibilidade orçamental nas despesas relacionadas com os apoios estatais decorrentes das intempéries, de modo que essas despesas não afetem o cumprimento das regras orçamentais da União Europeia (UE).

Em declarações aos jornalistas portugueses em Bruxelas, após a reunião dos ministros das Finanças da EU, o ministro explicou que “se essas despesas não fossem consideradas como ‘one-off’ – o que é comum, dado tratar-se de um evento fora do controle do governo – isso aumentaria a variação da despesa líquida primária, afastando Portugal da trajetória prevista e complicando o cumprimento das regras orçamentais da UE, que estabelecem limites para o défice e a dívida pública.”

“Se as despesas que estamos a prever, especialmente em 2026, não fossem tratadas como temporárias – e realmente são, já que não decorrem da ação direta do governo – isso faria com que a variação da despesa líquida primária em 2026 superasse as previsões do governo. Sendo consideradas temporárias, isso nos auxilia a manter o cumprimento das regras orçamentais europeias, o que também foi possibilitado pelo fato de termos um excedente orçamental em 2025”, acrescentou Joaquim Miranda Sarmento.

A classificação de despesa ‘one-off’ refere-se a gastos públicos com efeitos orçamentais transitórios devido aos apoios que o governo português está oferecendo em resposta ao mau tempo e às recentes tempestades.

Estão em questão iniciativas como um apoio financeiro de cerca de 2,5 mil milhões de euros para ajudar famílias, empresas e municípios a reconstruir habitações, infraestruturas e setores produtivos após danos causados pelas tempestades Kristin, Leonardo e outras.

O governo está a implementar apoios diretos à reconstrução de casas que variam entre 5.000 e 10.000 euros, além de ajuda aos agricultores, com candidaturas que já ultrapassam os 300 milhões de euros, e medidas de ‘lay-off’ simplificado que garantem salários para trabalhadores de empresas afetadas.

No que diz respeito ao apoio para habitação, este destina-se exclusivamente a danos em “habitação própria e permanente”, reconheceu o ministro, admitindo que emigrantes podem não estar incluídos.

Para as pessoas com dívidas ao fisco, é necessário que regularizem a situação, o que implica que, apesar das obrigações, devem prestar garantias ou estar “num plano de pagamentos em prestações” para acessar esses apoios, explicou.

Segundo Joaquim Miranda Sarmento, o governo português está atualmente a fazer um levantamento total dos danos para solicitar mais apoios europeus: “Temos […] algumas semanas para fazer o pedido. Vamos realizar esse levantamento e, com base nele, a União Europeia procederá à avaliação.”

O ministro lembrou, ainda, que “no caso da Espanha, após as tempestades em Valência, o valor total de apoio [da UE] foi em torno de 10%.”

Dezesseis pessoas perderam a vida em Portugal devido à passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que também resultaram em centenas de feridos e desalojados.

As principais consequências materiais das intempéries incluem a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, queda de árvores e estruturas, fechamento de estradas, escolas e serviços de transporte, além de interrupções no fornecimento de energia, água e comunicações, assim como inundações e cheias.

Pat Pereira

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