Geração Z: Entre o Salário Mínimo e os Sonhos Elevados
A geração Z ingressou na vida adulta em um dos piores momentos para sonhar alto. Entre salários baixos, aluguéis altos e planos adiados, quase metade vive uma constante luta financeira. Mesmo assim, consome menos, pensa mais no futuro e não abre mão de seus valores.
Se pudesse haver um esporte olímpico para administrar expectativas, a geração Z certamente estaria no pódio. Segundo um novo estudo da Horowitz Research, quase metade (49%) dos jovens adultos da geração Z, entre 18 e 28 anos, vive atualmente em uma corda bamba financeira: contando os centavos até o fim do mês ou lutando para cobrir os gastos essenciais. Não é exatamente a imagem glamorosa da “geração do futuro”.
O relatório, intitulado State of Media, Entertainment and Tech: FOCUS Generation Next 2025, confirma o que muitos jovens já suspeitavam sem a necessidade de gráficos: a economia não está ajudando nos planos de vida. Apenas 10% afirmam estar “prosperando financeiramente”, o que torna este grupo uma geração sufocada, ainda que com uma luz visível ao fim do túnel.
Frente a essa pressão, a geração Z não se entrega à passividade. Quase metade prefere ficar em casa em vez de sair (43%), controla rigorosamente suas despesas diárias (42%) e cerca de 39% trabalha mais horas ou agrega pequenos trabalhos ao seu currículo. O tempo livre é escasso, mas a necessidade é grande.
Curiosamente, essa é uma geração que, apesar de viver o presente, mantém um olhar voltado para o futuro: acompanha o mercado de ações, considera planos de aposentadoria e utiliza ferramentas financeiras com mais frequência do que as gerações anteriores na mesma faixa etária.
Mesmo com uma margem financeira reduzida, há um aumento na solidariedade: 42% afirmam ter se dedicado ao voluntariado para ajudar pessoas em necessidade — um número que cresceu em relação ao ano anterior. Nem tudo se mede em dinheiro.
Planos adiados ou guardados na gaveta?
O impacto da economia também se reflete nas decisões mais importantes. Oito em cada dez jovens da geração Z postergaram pelo menos um plano significativo. Comprar uma casa ou investir em imóveis está no topo da lista (40%), seguido por viagens (31%), troca de carro (21%) e até ter filhos (9%). A ideia de mudar de emprego também está em espera para 22% dos entrevistados; afinal, a estabilidade, mesmo que precária, é valiosa.
É uma geração que adentra a vida adulta em um momento particularmente desafiador: salários apertados, aluguéis altos e um futuro que parece sempre mais caro do que o orçamento permite.
Consumir com a carteira… e com a consciência
Para as marcas, o cenário pode parecer desanimador, mas há nuances. Mais de um quarto dos jovens (27%) diz ter apoiado ativamente empresas cujas políticas estão alinhadas com seus valores. A sustentabilidade ambiental, o comércio justo e políticas de diversidade e inclusão influenciam fortemente suas decisões de consumo. Não se trata apenas de preço; trata-se de propósito.
Como resume Adriana Waterston, vice-presidente executiva da Horowitz Research em comunicado, essa fase da vida é particularmente vulnerável: “O contexto econômico atual pode atrasar significativamente o percurso da geração Z rumo à estabilidade profissional, à casa própria e ao sucesso financeiro”. Diante de escolhas difíceis, esses jovens preferem gastar pouco, mas de forma consciente e ética.
A geração Z pode não estar vivendo o sonho prometido, mas está longe de estar em negação. Ajusta seus hábitos, adia planos, questiona as marcas e, quando pode, ajuda aqueles que estão em situação pior. Talvez não compre uma casa tão cedo, mas adquire uma consciência crítica com facilidade.
Em um mundo onde tudo parece caro, essa geração navega como pode: com pragmatismo, alguma ansiedade e uma boa dose de ironia. Afinal, rir ainda é grátis. Por enquanto.





