Euribor a 6 meses ganha destaque
A Euribor a 6 meses está a ganhar relevância nos novos créditos à habitação em Portugal, refletindo a abordagem das famílias diante da expectativa de redução das taxas de juro.
As famílias portuguesas estão a alterar de forma gradual a maneira como indexam os novos créditos à habitação: a Euribor a 6 meses está a tornar-se a nova referência predominante, ocupando o espaço das opções tradicionais a 3 e 12 meses, conforme indicado na mais recente análise de mercado de crédito à habitação do ComparaJá referente a março de 2026.
Os dados do relatório demonstram uma mudança dentro do próprio universo da taxa variável. A preferência dos novos mutuários está a inclinar-se cada vez mais para a Euribor a seis meses, em detrimento dos outros prazos.
Esta tendência reflete um comportamento mais estratégico das famílias, que buscam um equilíbrio entre revisões frequentes da prestação e uma atualização lenta da taxa.
Na prática, escolher a Euribor a seis meses significa que a prestação é revista duas vezes ao ano, permitindo que se beneficie mais rapidamente de possíveis descidas nas taxas de juro do Banco Central Europeu, sem a volatilidade de uma revisão trimestral ou a lentidão de uma atualização anual.
Num cenário onde o mercado prevê cortes graduais nas taxas de juro ao longo de 2026, a rapidez com que essas reduções se refletem na prestação mensal torna-se um fator cada vez mais relevante na tomada de decisão das famílias.
Segundo a análise de mercado, a proporção de novos contratos indexados à Euribor a 6 meses tem vindo a crescer de forma consistente nos últimos meses, acompanhando a desaceleração da fase mais intensa de aumento das taxas de juro e um maior apetite ao risco por parte dos mutuários.
Fonte: ComparaJá
Por outro lado, observa-se um declínio da Euribor a 12 meses, frequentemente associada a uma maior estabilidade da prestação, assim como uma estabilização ou ligeira redução da influência da Euribor a 3 meses.
Esta mudança para o prazo semestral pode sinalizar uma maior literacia financeira e um acompanhamento mais atento das taxas de juro por parte dos consumidores. No entanto, é importante ressaltar que essa escolha também envolve riscos: se a trajetória de descida das taxas se inverter, a revisão semestral pode acentuar o impacto de novas subidas nas prestações.
Ainda assim, a consolidação da Euribor a 6 meses como a principal referência nos novos contratos é um dos sinais mais evidentes de adaptação do mercado de crédito à habitação em Portugal após o ciclo de aumento significativo das taxas de juro que se iniciou em 2023.




