Saúde

Estudo mostra que sangue jovem pode retardar o Alzheimer em camundongos

Estudo mostra que sangue jovem pode retardar o Alzheimer em camundongos

A doença de Alzheimer é a principal causa de demência em todo o mundo e continua a ser um dos desafios mais sérios enfrentados pelos sistemas de saúde pública. Novas descobertas publicadas na revista Aging-US sugerem que substâncias circulando no sangue podem influenciar a rapidez com que a doença avança. Em experimentos com camundongos, os pesquisadores descobriram que o sangue de animais mais velhos acelerou danos relacionados ao Alzheimer, enquanto o sangue de camundongos mais jovens parecia ter um efeito protetor.

O estudo foi conduzido por cientistas do Instituto Latinoamericano de Saúde Cerebral (BrainLat) da Universidade Adolfo Ibáñez, em colaboração com o Instituto MELISA, a Universidade de Texas Health Science Center em Houston e a Universidade Mayor.

Como o Alzheimer Dano ao Cérebro

A doença de Alzheimer é caracterizada pelo acúmulo da proteína beta-amiloide (Aβ) no cérebro. Essas proteínas se agrupam para formar placas que interferem na comunicação entre os neurônios e desencadeiam processos que gradualmente danificam o tecido cerebral. Embora a beta-amiloide seja produzida no cérebro, pesquisas recentes sugeriram que ela também pode ser detectada na corrente sanguínea. Essa descoberta levantou novas questões sobre se fatores baseados no sangue poderiam desempenhar um papel na progressão da doença.

Testando os Efeitos do Sangue Jovem e Velho

Para investigar essa possibilidade, os pesquisadores utilizaram camundongos transgênicos Tg2576 (um modelo amplamente utilizado em pesquisas sobre Alzheimer). Ao longo de 30 semanas, os camundongos receberam infusões semanais de sangue de doadores jovens ou idosos. O objetivo era determinar se componentes no sangue poderiam afetar o acúmulo de amiloide no cérebro, bem como a memória e o comportamento.

De acordo com a Dra. Claudia Durán-Aniotz do Instituto Latinoamericano de Saúde Cerebral (BrainLat) da Universidade Adolfo Ibáñez, os resultados destacam a importância de olhar além do próprio cérebro. “Este trabalho colaborativo entre várias instituições reforça a importância de entender como fatores sistêmicos condicionam o ambiente cerebral e impactam diretamente os mecanismos que promovem a progressão da doença. Ao demonstrar que sinais periféricos derivados do sangue envelhecido podem modular processos centrais na fisiopatologia do Alzheimer, essas descobertas abrem novas oportunidades para estudar alvos terapêuticos voltados para o eixo sangue-cérebro”, explicou.

Medindo Mudanças na Memória e Molecular

A equipe de pesquisa avaliou o desempenho cognitivo utilizando o teste de Barnes e mediu a acumulação de placas de amiloide por meio de métodos histológicos e bioquímicos. Eles também realizaram uma análise proteômica detalhada do tecido cerebral dos camundongos tratados. Essa análise identificou mais de 250 proteínas cujos níveis de atividade haviam mudado. Muitas dessas proteínas estão envolvidas na função sináptica, sinalização endocanabinóide e regulação de canais de cálcio, oferecendo explicações possíveis para as diferenças observadas na saúde cerebral e no comportamento.

O Instituto MELISA desempenhou um papel fundamental na análise dos dados proteicos complexos. Mauricio Hernández, especialista em proteômica no instituto, observou os desafios técnicos envolvidos. “Dentro deste estudo, realizamos uma análise proteômica em larga escala que nos permitiu gerar dados de excelente qualidade nessa matriz complexa como o plasma, um desafio técnico para qualquer laboratório de proteômica. Graças ao nosso equipamento de ponta (timsTOF Pro2), temos orgulho de ter contribuído para a produção de um artigo científico robusto e de alta qualidade.”

O Que Isso Significa Para Pesquisas Futuras sobre Alzheimer

As descobertas acrescentam evidências crescentes de que fatores circulantes no sangue podem afetar diretamente o curso de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. Ao identificar como esses sinais baseados no sangue influenciam o cérebro, os cientistas podem ser capazes de descobrir novos alvos de tratamento e desenvolver estratégias para retardar ou prevenir a progressão da doença. Pesquisas futuras se concentrarão em identificar os fatores específicos envolvidos e determinar se eles podem ser segurança direcionados em pessoas.

“É um prazer contribuir com nossas capacidades proteômicas para apoiar iniciativas de pesquisa inovadoras como este estudo, que permitem avançar no conhecimento e desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas, que atualmente são um problema de saúde global”, disse o Dr. Elard Koch, Presidente do Instituto MELISA.

Financiamento e Apoio à Pesquisa

C.DA. foi apoiado pela ANID/FONDECYT Regular 1210622, ANID/PIA/ANILLOS ACT210096, pela Alzheimer’s Association (AARGD-24-1310017), ANID/FOVI240065 e ANID/Projeto Exploração 13240170 e MULTI-PARTNER CONSORTIUM TO EXPAND DEMENTIA RESEARCH IN LATIN AMERICA (ReDLat), apoiado pela concessão de pesquisa NIH R01AG057234 financiada pelo National Institute of Aging (NIA) e pelo Fogarty International Center (FIC), uma concessão da Alzheimer’s Association (SG-20-725707-ReDLat), pela Rainwater Charitable Foundation, e pelo Global Brain Health Institute com suporte adicional do Bluefield Project to Cure Frontotemporal Dementia, um contrato do NIH (75NS95022C00031), e NIA sob as concessões R01AG075775, R01AG082056, e R01AG083799. O conteúdo é de inteira responsabilidade dos autores e não representa as opiniões oficiais dos Institutos Nacionais de Saúde, da Alzheimer’s Association, da Rainwater Charitable Foundation, do Bluefield Project to Cure Frontotemporal Dementia ou do Global Brain Health Institute. A contribuição de RM e equipe neste trabalho foi apoiada pelas concessões do NIH RF1AG072491 e RF1AG059321. UW foi apoiado pela ANID/FONDECYT Regular 1240176.

Pat Pereira

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