Encontro de Culturas e Sabores: Chefs Premiados e Amadores na Cozinha
Chefes renomados e premiados estarão prontos para colocar a mão na massa, cozinhando com pessoas de diferentes culturas, raízes e sabores de diversos continentes. Este é, na verdade, o espírito de É Um Encontro, uma iniciativa da associação Crescer e que se destaca nas comemorações dos 46 anos do município da Amadora.
O chef Nuno Bergonse, jurado do programa “Masterchef Portugal”, é o curador do evento. Com experiência em Londres, Barcelona e Moçambique, já trabalhou em Lisboa no Eleven, Ritz Four Seasons e abriu vários restaurantes. O currículo impressiona, mas ele mesmo desdramatiza: “Mas não vale a pena.”
“A cozinha é universal e evolui com o tempo. Todos precisamos comer, todos cozinhamos: brancos, amarelos, verdes, pretos, azuis. Por isso, costumo perguntar: que outra manifestação cultural pode derrubar barreiras e preconceitos?”, questiona Bergonse em conversa com a New in Amadora. Ele tem colaborado com a associação Crescer em várias iniciativas ao longo dos últimos oito anos.
Bergonse planeja desconstruir um prato típico brasileiro. Ao seu lado estará Rosana Pena, da Baía. “Vamos fazer uma brincadeira. Ela vai preparar uma moqueca de camarão clássica e eu vou utilizar os mesmos ingredientes, mas de uma maneira diferente. A experiência, que o público poderá acompanhar ao vivo e depois degustar, acontecerá no domingo, 14, às 16 horas.
A gastronomia é uma forma de cultura, afirma Nuno Bergonse. “A Amadora é exatamente isso: um município com mais de 100 nacionalidades e uma rica diversidade de sabores e talentos. As pessoas precisam ser encorajadas a sair de suas zonas de conforto. O festival é uma oportunidade para todos compartilharem esse espírito de alegria.”
“É preciso desfazer o preconceito de que apenas quem tem formação consegue cozinhar e ser chef. Isso é um grande erro. Este projeto demonstra que a inclusão social é viável”, enfatiza Bergonse. “A Amadora enfrenta estigmas, mas não está sozinha nessa questão. Martim Moniz, Setúbal e outras partes do país também. É incompreensível não agir contra esses preconceitos, pois Portugal — que pertence a todos que aqui residem, trabalham, formam famílias e lutam por um futuro melhor — é repleto de talentos.”
Chakall, outro chef habitual no evento gastronômico, tem experiência com imigração e os desafios à inclusão social. “Sou imigrante há 25 anos e tenho dupla nacionalidade há duas décadas. Entendo bem como é viver em um país estrangeiro e ser olhado de maneira diferente. Muitas vezes, não nos desafiamos por medo de falhar”, diz. Ele defende festivais como É Um Encontro, que promovem a mistura, integração e troca de experiências.
O argentino colaborará com o colombiano Edward Munoz Barrios no domingo, 14, às 18 horas. “Vamos adaptar arepas, um prato tradicional da Colômbia e Venezuela, feito com massa de pão de milho.” Os chefs sul-americanos se sentirão à vontade neste show de fusão.
Além de diálogos, que enriquecem a diversidade cultural, haverá encontros e fusões no mercado da Mina. Ao longo de três dias, entre 12 e 14, Cátia Goarmon, conhecida da televisão pelos seus programas de sucesso no 24 Kitchen, se juntará à festa.
“Aceitei o convite do Nuno Bergonse de imediato. A Amadora é um símbolo de multiculturalidade, e o festival servirá para celebrar e compartilhar as raízes de cada um”, diz à New in Amadora.
“Sou multicultural na minha vida gastronômica”, comenta, sorrindo. “Amo fazer cruzamentos, receber convidados com diferentes práticas e culturas. Este projeto é extremamente enriquecedor. Sinto que faço parte dessa multiculturalidade, pois no fundo somos todos um. A cozinha é um dos espaços mais democráticos.”
A autora de programas como “Os Segredos da Tia Cátia” irá cozinhar no sábado, 13, às 18 horas, com Ruth Falcão. “Ela é de Angola e fará um arroz de feijão angolano, que é bem diferente do nosso em Portugal — o nosso não leva óleo de dendê. Eu vou preparar pataniscas de bacalhau, que trazem um sabor muito nosso e são uma combinação feliz.”
Para completar o menu, o talento de Justa Nobre, um ícone da cozinha portuguesa, é imprescindível.
“É uma honra cozinhar ao lado de pessoas que têm sonhos”, disse à New in Amadora, admitem, no entanto, que não tinha certeza sobre o projeto quando aceitou o convite do curador. “Se o Nuno Bergonse, um talento reconhecido e meu amigo, me desafia para um projeto assim, seria impossível recusar. Agora estou aprendendo mais sobre o projeto e acredito que será algo muito bonito e inclusivo.”
A Amadora é um município com mais de 120 nacionalidades, e essa diversidade cultural deve ser celebrada. “A cozinha portuguesa já é riquíssima: da minha Trás-os-Montes à Alentejo, do Algarve ao Porto e Minho. Agora, ao adicionarmos novas realidades de outros países, temos motivos para comemorar. A cozinha é uma festa!”, acrescenta.
Justa Nobre não hesita em compartilhar a cozinha com desconhecidos. “Adoro essas misturas.” Ao lado dela, estará Fátima Vera Cruz. “Vai ser muito divertido e pretendo me integrar no espírito do festival.”
“Estou preparando uma sopa de castanhas, já com um toque de outono, acompanhada de cogumelos e presunto crocante. Fátima, por sua vez, fará um ‘molho de peixe seco com farinha de milho’. Vamos ver se esses dois pratos combinam no sábado às 19h30.”
A cultura gastronômica vai além da comida e chefs, e o evento É Um Encontro incluirá diversas atividades: tertúlias, workshops, apresentações de dança e música de outros países.
Após a abertura na sexta-feira, 12, haverá uma conversa sobre responsabilidade social com participantes de El Corte Inglés, IKEA e Metro. Às 20 horas, uma apresentação de dança pela academia Egzit, uma das mais ativas da Amadora, será realizada.
No mercado, Guto Pires se apresenta às 21 horas, seguido de um workshop de coquetéis com Constança Cordeiro. A noite será encerrada às 22 horas com Riot, um músico e DJ, um dos criadores do fenômeno Buraka Som Sistema.
Nas manhãs, haverá atividades para crianças e uma discussão sobre a questão de gênero na culinária, com a participação de Joana Barrios.
Na mesma hora, mas na área do lounge, uma apresentação de dança tradicional nepalesa acontecerá. Às 16h30, será a vez da capoeira, e às 19h30, as Batucadeiras São Miguel de Arcanjo subirão ao palco.
No domingo, as batucadeiras Bandeirinha Panafrikanista se apresentarão às 17 horas, seguidas pela Kirat Rai Society Portugal, com Dança Tradicional Nepalesa, que finalizará o festival a partir das 20 horas. O programa completo do É Um Encontro está disponível online.
Confira a galeria para ver alguns dos melhores momentos da edição de estreia, realizada em 2024.



