Donald Trump Anuncia Estratégia para Reservas de Minerais Críticos
A proposta é garantir que os EUA não enfrentem escassez de minerais críticos, um setor atualmente dominado pela China.
Donald Trump anunciou a criação de uma reserva de minerais críticos, avaliando seu valor em 12 bilhões de dólares.
O objetivo é manter um estoque disponível para desafiar a influência da China no mercado global desses minerais vitais para a transição energética.
A reserva será chamada de ‘Project Vault’ (Projeto Cofre), sendo comparada à Reserva Estratégica de Petróleo, estabelecida em 1970 para assegurar suprimentos de emergência após o embargo à venda de petróleo pelos países árabes.
A missão é “assegurar que empresas e trabalhadores dos EUA não sofram com a falta” desses minerais, conforme disse o presidente americano.
Além dos EUA, outros 11 países participarão dessa iniciativa, que será anunciada em Washington na quarta-feira, incluindo nações da Europa, África e Ásia, com direito a um discurso do vice-presidente JD Vance.
O projeto será financiado com 10 bilhões de dólares pelo banco estatal ‘US Export-Import Bank’, que apoia as exportações do país, e com quase 1,7 bilhões de dólares em capital privado.
A China controla 70% da mineração de minerais críticos e 90% do processamento, com influência significativa tanto na capacidade de fornecimento quanto nos preços.
“Não queremos passar pelo mesmo que ocorreu há um ano”, declarou Donald Trump na Casa Branca na segunda-feira, conforme relatado pela “Reuters”.
O presidente referia-se às restrições chinesas nas exportações de minerais em resposta às tarifas impostas pelos EUA.
Para fortalecer este setor, o governo americano já investiu na mineradora MP Materials e forneceu financiamentos para a Vulcan Elements e a USA Rare Earth.
Minerais críticos. Europa quer parceria com EUA para enfrentar a China
A União Europeia (UE) busca estabelecer uma parceria com os EUA para abordar a questão dos minerais críticos. O objetivo é reduzir a dependência da China, que é a principal produtora e refinadora de muitos minerais essenciais para a transição energética, como o lítio.
A parceria busca explorar minerais críticos sem a intervenção da China, que controla a cadeia de abastecimento global e pode manipular os preços de determinados minerais, como o lítio, ao aumentar a produção e afastar investidores europeus ou norte-americanos que necessitam de preços competitivos para financiar seus projetos.
O acordo poderá ser assinado nos próximos três meses, denominado ‘Roteiro para uma parceria estratégica’, segundo informações da “Bloomberg” nesta terça-feira.
Embora a proposta tenha méritos, simplesmente descobrir mais minerais críticos para exploração não é suficiente, dado que a capacidade industrial da China em processá-los é incomparável, sendo um processo desenvolvido ao longo de décadas.
O memorando mencionado pela agência de notícias destaca que os EUA e UE devem cooperar em projetos conjuntos e criar mecanismos para suportar os preços.
Recomenda também proteger os mercados contra a oferta excessiva de minerais externos à parceria e outras formas de manipulação de mercado.
A proposta sugere que ambas as partes mantenham uma cadeia de suprimento compartilhada.
No entanto, a proposta da União Europeia enfatiza que ambas as partes devem respeitar sua integridade territorial, ou seja, Bruxelas deseja que os EUA não intervenham na Gronelândia, que pertence à Dinamarca.
Os EUA estão convidando ministros de governos de todo o mundo para concluir um acordo global na quarta-feira, com o intuito de combater o domínio da China nos minerais críticos.
Há ainda outra questão: o preço. Como os preços dos produtos finais ficarão, se os produtores de baterias, por exemplo, precisarem optar por minerais europeus ou americanos em vez de minerais chineses, que são mais baratos?
A demanda por minerais críticos deverá aumentar quase 1.000% até 2050. Atualmente, 80% da cadeia de suprimento de terras raras é controlada pela China, e o investimento global em energias renováveis e baterias supera, em quase 100% anualmente, o investimento em combustíveis fósseis.
A Comissão Europeia considera que as negociações são “vitais para diversificar nosso abastecimento de um único país”.
Washington vê a questão como prioritária, especialmente após Pequim implementar restrições nas exportações de minerais críticos em 2025.
Essa intenção não é nova. Em dezembro de 2020, já no final do primeiro mandato de Trump, um enviado do governo americano visitou Lisboa para incentivar investimentos norte-americanos no lítio português.
Na ocasião, Francis Fannon defendia a Iniciativa de Governança de Recursos Energéticos (ERGI), que reunia diversos países produtores – EUA, Canadá, Austrália, Botswana e Peru –, mas a iniciativa enfrentou dificuldades.
Em outubro de 2024, o vice-secretário para o Crescimento, Energia e Ambiente do Ministério dos Negócios Estrangeiros dos EUA visitou Lisboa e defendeu uma “resposta internacional à República Popular da China”, conforme declarou Jose Fernandez na época.





