Economia

Cibersegurança: A IA intensifica os ataques a um ritmo que as defesas tradicionais não conseguem mais acompanhar

Cibersegurança: A IA intensifica os ataques a um ritmo que as defesas tradicionais não conseguem mais acompanhar

A inteligência artificial está a acelerar a automatização do cibercrime a uma taxa sem precedentes. Enquanto 53% dos líderes reconhecem o risco estratégico, apenas 7% estão a utilizar essa mesma tecnologia para se defender, conforme aponta um novo estudo da Boston Consulting Group (BCG).

O relatório da BCG revela que os ataques cibernéticos impulsionados por inteligência artificial estão a aumentar mais rapidamente do que as defesas das empresas, com 60% das organizações reportando terem sido alvos de IA, mas apenas 7% a implementar essa tecnologia na sua defesa.

A inteligência artificial permite a execução de ataques complexos, como deepfakes e phishing, o que exige que os líderes empresariais adotem uma abordagem proativa e estratégica para assegurar a resiliência operacional.

O cenário da cibersegurança mudou: já não é uma luta entre humanos e máquinas, mas sim uma batalha entre algoritmos e defesas estáticas.

De acordo com o relatório “AI Is Raising the Stakes in Cybersecurity”, a BCG alerta que a “cyber kill chain” está quase totalmente automatizada. Desde phishing hiper-realista até clonagem de voz e deepfakes usados em fraudes financeiras, os atacantes operam à “velocidade da máquina”, enquanto as empresas tentam ainda reagir à velocidade humana.

Um dado crítico do estudo é a paralisação operacional.

Apesar de 60% das organizações acreditarem já ter sido alvo de ataques potenciados por IA no último ano, o investimento não acompanhou essa preocupação. Apenas 5% das empresas aumentaram significativamente os seus orçamentos de segurança em resposta a esta tecnologia.

Esta divergência cria uma oportunidade perigosa para os criminosos. “A defesa reativa já não é viável”, destaca José Ferreira, Managing Director & Partner da BCG Portugal. Para o especialista, a IA deixou de ser um recurso opcional e tornou-se um fator crítico de exposição.

A transição para uma defesa ativa enfrenta três principais barreiras. Em primeiro lugar, a escassez de especialistas, já que 70% das empresas encontram dificuldades em recrutar talento que compreenda a interseção entre cibersegurança e IA; em segundo, a maturidade digital, pois as ferramentas tradicionais falham em detectar malware de autoaprendizagem; e, por último, a cultura de liderança, pois a segurança ainda é encarada como um custo técnico e não como um pilar de resiliência promovido pelo topo (CEOs).

O relatório conclui que a proteção não se limita a “cerrar a porta”. À medida que as empresas integram IA em seus processos, os próprios algoritmos e os dados de treino tornam-se alvos. Proteger a integridade da IA e utilizar a mesma tecnologia para monitorizar redes em tempo real é o único caminho viável para a sobrevivência digital.

Pat Pereira

About Author

Você também pode gostar

Economia

Transformamos as tendências da indústria em produtos inovadores: a Schaeffler apresenta o seu portfólio expandido para máquinas-ferramenta

Na indústria de máquinas-ferramenta, fatores como a automação, a digitalização e a sustentabilidade constituem forças que moldam as arquiteturas das
TransPerfect compra a tecnológica portuguesa Unbabel
Economia

TransPerfect compra a tecnológica portuguesa Unbabel

A TransPerfect, fornecedora norte-americana de soluções linguísticas e inteligência artificial para negócios globais, adquiriu a Unbabel, plataforma portuguesa de AI
inAmadora.pt
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.