Cão Laranja: o hotel na Amadora exclusivamente para gatos, coelhos e porquinhos!
No momento em que Lina Baia estava prestes a finalizar seu estágio no Hospital do Restelo, em Lisboa, conquistou o coração de um cão adulto. “Ele estava disponível para adoção, tinha uma história de vida difícil, e eu me apaixonei por ele”, relata. Após conversar com seu parceiro, Duarte, decidiram adotar o adorável patudo de pelagem laranja.
Dois anos depois, quando optaram por abrir um negócio, não hesitaram em escolher o nome: Cão Laranja. “Tinha de ser”, afirma Lina, alentejana de 42 anos e graduada em Enfermagem Veterinária. O parceiro, que já compartilha 18 anos de amor entre namoro, coabitação e casamento, também é amante de animais, embora trabalhe como enfermeiro de medicina humana.
“Ele me dá uma ajuda valiosa, compartilha comigo este sonho, mas tem sua vida na medicina humana”, explica Lina à New in Amadora. O hotel, localizado nas Águas Livres (Pça do Infantário 7 Loja B, 2720-304 Amadora), conta com 11 anos de existência. Inicialmente, era apenas um hotel, mas agora inclui serviços de banhos, tosquias e, mais recentemente, um consultório médico com cinco veterinários que, embora ainda não estejam a tempo integral, trabalham de forma rotativa.
Tomé foi o primeiro cão do casal
Tomé, o patudo, faleceu há duas semanas, e a dor que a família sente é imensurável. “Ainda estamos a nos recuperar, mas acredito que isso nunca vai acontecer completamente”, afirma Lina. “Não estávamos pensando em adotar outro animal, ele já era adulto e viveu conosco por 13 anos e meio. Faleceu há duas semanas, no dia 8. Já estava velhinho, com 16 anos e sofrendo de um tumor no fígado que não conseguimos superar”, acrescenta, lembrando que “ele foi um lutador até o final”.
Enquanto Tomé foi o primeiro cão que tiveram juntos, ambos os sócios sempre tiveram uma afinidade por animais. “Sempre tive animais no Alentejo (nasci em Beja e cresci em uma aldeia próxima)”. Seu primeiro animal foi a Fofinha, uma cadela. “Naquela época, as pessoas costumavam ter ninhadas e depois se desfazer delas de maneira cruel. Meu pai soube que iriam fazer isso com os cãezinhos e decidiu trazer uma para casa. Um dia, quando eu tinha cinco ou seis anos e estava assistindo à Rua Sésamo, ele apareceu com a Fofinha escondida e me apresentou”, relembra.
Lina, prestes a iniciar a escola primária, ficou radiante. “Foi uma alegria imensa, e rapidamente me esqueci do Monstro das Bolachas, do Egas e do Becas”, brinca a enfermeira veterinária.
“A Fofinha foi fundamental para meu crescimento e para desenvolver minha responsabilidade”, reconhece Lina, acrescentando que a cadela viveu até sua adolescência. Duarte, por sua vez, também teve contato precoce com animais na casa dos pais. “Ele tinha um gato chamado Cat”.
Hotel é a alavanca do Cão Laranja
“O nosso principal serviço, que sustenta o negócio, é o hotel para gatos. Muitas pessoas acham o nome curioso: é Cão Laranja, mas só acolhemos gatos, coelhos e porquinhos da Índia”, explica.
Tomé era o anfitrião do espaço. “Ele vinha sempre que era possível. Temos um piso térreo e outro ao nível da cave. Tomé era um cão muito amigável, que se dava bem com todos, incluindo outras espécies”, conta. Ele foi o único cão que tinha autorização para passar a noite no hotel.
“Recentemente, há muita procura por coelhos. Não é comum em áreas urbanas haver hotéis que aceitem esse tipo de animal, bem como porquinhos da Índia. Há pessoas que ainda nos perguntam quando vêm deixar os gatos, se podemos arranjar um lugar para os cães. Mas isso não é uma possibilidade que consideramos”, diz.
Recentemente, também começaram a oferecer serviços de grooming, como banhos e tosquias, e um consultório clínico, onde cães são bem-vindos. “Temos quatro veterinárias que fazem trabalho rotativo aqui. Não temos consultas regulares todos os dias ainda porque estamos começando”, justifica.
“Este é um projeto muito sonhado. O Duarte também faz parte, claramente, mas está mais ligado à medicina humana. Para mim, é um sonho realizado, sim”, confessa Lina. “A vontade de criar algo diferente surgiu de um certo desencanto com a forma como a veterinária é praticada. Aprecio um serviço humanizado e com dedicação”, finaliza.
Confira mais imagens do Cão Laranja, o hotel para gatos, coelhos e porquinhos da Índia.



