André Ventura utiliza desinformação como arma política, afirma investigador
Branco Di Fátima, pesquisador responsável por um estudo sobre desinformação durante a campanha presidencial, afirmou à Lusa que André Ventura, líder do Chega, utiliza deliberadamente a desinformação como uma estratégia política. Segundo ele, tanto Ventura quanto seu partido estão cientes de que esta tática é eficaz.
André Ventura, acompanhado por Rita Matias, dirigiu-se à imprensa durante uma manifestação nacional de imigrantes, organizada pela Associação Solidariedade Imigrante e por um coletivo que já havia protestado frente ao Centro de Instalação Temporária no Porto. O evento ocorreu em 17 de setembro de 2025, com o objetivo de reivindicar direitos como a obtenção de documentos, reagrupamento familiar, e a libertação de imigrantes detidos em centros de instalação sem terem cometido delitos, além de exigir respeito e dignidade. Essa manifestação coincide com o retorno dos debates na Assembleia da República sobre leis de imigração e nacionalidade.
Segundo Branco Di Fátima, a desinformação disseminada por Ventura é intencional e não resulta de erros. Ele a utiliza como uma ferramenta para gerar caos e manipular a opinião pública. Di Fátima detalhou que a estratégia envolve a utilização de temas complexos e emocionalmente carregados, que permitem identificar um “inimigo” a ser combatido.
Até 13 de janeiro, Ventura foi responsável por 85,7% dos incidentes de desinformação monitorados pelo LabCom – Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior. Um exemplo notório foi seu compartilhamento, em 1º de janeiro, de um vídeo do jornal espanhol OK Diário, que exibia um incêndio na Igreja de Vondelkerk, em Amesterdão, associando-o à legenda “islamização da Europa”.
O vídeo original sugere que o fogo começou quando “vários imigrantes lançaram fogos de artifício” sobre o edifício, que não é mais utilizado para cerimônias religiosas desde 1977 e funciona como um centro cultural. Ventura, no entanto, acrescentou à sua publicação a expressão “islamização da Europa”, conforme o relatório dos pesquisadores.
A publicação alcançou mais de 1 milhão de visualizações, gerou 40.250 comentários e 3.487 compartilhamentos, atingindo um total de 436.167 usuários únicos que visualizaram o conteúdo. Di Fátima observou que as grandes empresas de tecnologia responsáveis pelas redes sociais estão falhando no combate à desinformação, que não apenas influencia a forma como as pessoas pensam, mas também se tornou um “ecossistema econômico”.
Ele explicou que a desinformação, muitas vezes emocionalmente carregada, mantém os indivíduos mais tempo nas plataformas, o que gera maior valor para essas visualizações, já que as plataformas vendem, essencialmente, a atenção dos usuários. As eleições presidenciais, com um número recorde de 11 candidatos, estão agendadas para o próximo domingo.





