Agricultores registam 1.695 declarações de prejuízo no Norte, 70% oriundas do Douro
Em resposta a um pedido de informações da agência Lusa, a CCDR-N informou hoje que entre 28 de janeiro e domingo foram registradas, por meio da sua plataforma digital, 1.695 declarações de prejuízos, totalizando um montante estimado de 25 milhões de euros.
Agricultores do Norte apresentaram 1.695 declarações de prejuízos causados pelo mau tempo, com 70% das ocorrências oriundas da região do Douro, segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
Segundo a CCDR-N, esses registros estão principalmente relacionados a deslizamentos de terras e danos em muros.
Em decorrência dos fenómenos meteorológicos adversos que afetaram o país nas últimas semanas, a CCDR-N disponibilizou um formulário digital para que os agricultores pudessem relatar os prejuízos nas suas explorações.
O formulário está disponível no site da comissão, permitindo que os agricultores informem sobre os danos e estimem o valor das perdas.
A Casa do Douro, associação que representa os produtores e está localizada em Peso da Régua, no distrito de Vila Real, já solicitou aos viticultores afetados pela intempérie que realizem com urgência a declaração dos prejuízos na plataforma disponibilizada pelas CCDR do Norte e Centro, especialmente para os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e Mêda.
Esse procedimento é necessário para que, conforme a Casa do Douro, “sejam preparadas medidas de apoio adequadas à realidade do terreno”.
A Casa do Douro alertou que “esta comunicação não equivale, ainda, a uma candidatura a financiamento, mas sim a uma declaração de ocorrência que será posteriormente validada pelos serviços competentes”. Destacou também que, “caso haja prejuízos adicionais, a declaração pode ser atualizada com novos registros”.
A instituição fez um alerta sobre a “situação de emergência” enfrentada na região, destacando a perda de terras agrícolas, a destruição de vinhas, o colapso de muros de xisto, que fazem parte da paisagem classificada pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade, além da instabilidade das encostas e danos em infraestruturas tradicionais, como linhas de água e acessos agrícolas.
A Casa do Douro lembrou que “os viticultores estão descapitalizados após anos de dificuldades na venda de uvas e vinhos”, observando que o “ano de 2024 foi particularmente trágico, com vinhas por vindimar e entregas sem garantia de pagamento”, ressaltando que, “apesar dessa situação, os compromissos financeiros com a banca, Segurança Social, fisco e trabalhadores continuam”.
Dezasseis pessoas perderam a vida em Portugal devido à passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que também causaram centenas de feridos e desalojados.
Entre as principais consequências materiais do temporal estão a destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, o fechamento de estradas, escolas e serviços de transporte, além de cortes de energia, água e comunicações, inundações e cheias.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.
A situação de calamidade que atingia os 68 concelhos mais impactados foi encerrada em 15 de fevereiro.




