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Ataques israelitas causam mais de 405 mortos em Gaza desde o cessar

Ataques israelitas causam mais de 405 mortos em Gaza desde o cessar

Os hospitais palestinianos relatam que Israel não está cumprindo os acordos estabelecidos para a entrada de ajuda humanitária no enclave. Ao mesmo tempo, o governo de Netanyahu anunciou a construção de 19 novos colonatos na Cisjordânia.

Palestinos fugindo do norte da Gaza deslocam-se para o sul enquanto tanques israelitas avançam mais profundamente no enclave, em meio ao conflito em curso entre Israel e Hamas, na faixa central da Gaza em 10 de novembro de 2023.

De acordo com o ministério da Saúde, controlado pelo Hamas, pelo menos 405 pessoas perderam a vida devido a ataques israelitas na Faixa de Gaza, mesmo após o cessar-fogo estabelecido em 10 de outubro. Nesse mesmo período, o total de feridos chegou a 1.115. Nas últimas semanas, as Forças de Defesa de Israel (IDF) intensificaram os ataques no Líbano, tendo bombardeado um veículo próximo à cidade de Sidon, resultando na morte de pelo menos três pessoas. No mesmo dia, forças israelitas demoliram um prédio residencial em Jerusalém Oriental, desalojando 13 famílias palestinianas; autoridades locais afirmam que Israel realizou 370 operações desse tipo em Jerusalém neste ano.

Um recente relatório das autoridades palestinianas, mencionado pela Lusa, registrou mais quatro mortes de cidadãos devido ao desabamento de prédios, elevando o total de mortos para 15. Muitos destes edifícios foram danificados durante a guerra e agora estão sendo afetados pelas tempestades de inverno. “Diversas vítimas permanecem sob os escombros e nas estradas, onde ambulâncias e equipes da Defesa Civil não conseguem acessar,” alertou o Ministério da Saúde palestiniano.

O Ministério da Saúde de Gaza advertiu que os hospitais no enclave palestiniano enfrentam uma escassez crítica, com os estoques de medicamentos reduzidos em 52% e os de materiais médicos em 71%. Esse alerta foi dado após uma coletiva de imprensa no Hospital al-Shifa, na zona oeste da Cidade de Gaza, para destacar as graves consequências dessa falta de suprimentos farmacêuticos, médicos e laboratoriais.

O sistema de saúde encontra-se em “um estado de exaustão sem precedentes e perigoso” após dois anos de conflito e um bloqueio severo, que reduziram drasticamente a capacidade de prover serviços de diagnóstico e tratamento. O relatório indicou que a escassez nos serviços de emergência e terapia intensiva chega a 38%, o que pode deixar cerca de 200 mil pacientes sem atendimento emergencial, 100 mil sem esterilização cirúrgica e 700 sem terapia intensiva.

O Ministério também mencionou que a crise está se agravando devido às contínuas restrições israelenses à entrega de ajuda médica, permitindo a entrada de menos de 30% das necessidades mensais de caminhões de suprimentos médicos em Gaza. Adicionalmente, muitos materiais médicos que chegam ao enclave frequentemente não atendem às reais necessidades em termos de tipo e prioridade. Nesse cenário, a instituição apelou aos órgãos internacionais competentes para que adotem medidas urgentes a fim de garantir a entrada regular de medicamentos e materiais médicos, além de pressionarem Israel a permitir o acesso humanitário sem restrições.

Apesar do cessar-fogo, Israel continua a violar os termos ao não permitir a entrada da quantidade acordada de caminhões com ajuda médica, agravando o que o Ministério da Saúde descreve como uma emergência sanitária crítica e contínua.

Enquanto isso, o governo israelense aprovou a criação de 19 novos colonatos judaicos na Cisjordânia, uma medida anunciada pelo ministro das Finanças que acelera ainda mais a expansão de Israel em territórios não reconhecidos, comprometendo a possibilidade de um futuro Estado palestiniano. Essa decisão eleva o total de novos colonatos estabelecidos nos últimos anos para 69, um novo recorde, segundo o ministro das Finanças, Betzalel Smotrich, membro da extrema direita do governo.

Entre os novos 19 colonatos, encontram-se dois que haviam sido evacuados durante um plano de remoção de colonatos de 2005. A aprovação aumenta o número total de colonatos na Cisjordânia em cerca de 50% durante o mandato do atual governo. Em 2022, havia 141 colonatos em toda a Cisjordânia. Após essa última aprovação, esse número chega a 210.

A autorização ocorre em um momento em que os Estados Unidos pressionam Israel e o Hamas para avançarem na segunda fase do cessar-fogo em Gaza. O plano mediado pelos EUA sugere um possível “caminho” para um Estado palestiniano, algo que os colonatos buscam impedir.

Pat Pereira

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